PCP diz que Governo vai despedir metade dos 1200 trabalhadores da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário

14.12.2011 - 20:11 Por Lusa
O secretário-geral do PCP afirmou hoje que o Governo “se prepara para despedir” metade dos 1200 trabalhadores da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF), sendo este um dos exemplos “da política criminosa”do Executivo para os transportes.
“O PCP tomou conhecimento das medidas inscritas no Plano de Acções EMEF 2011-2012. Inserida na política de destruição do aparelho produtivo nacional, o Governo prepara-se para despedir metade dos 1200 trabalhadores desta empresa, para encerrar a unidade de produção de vagões, para liquidar as oficinas do Barreiro, para entregar aos operadores privados as oficinas de Guifões, Contumil, Oeiras e Campolide, ao mesmo tempo que quer reforçar o papel da Siemens”, disse Jerónimo de Sousa.
O líder comunista apontou este caso da EMEF como um dos exemplos e das provas de que o Governo já pôs em marcha o Plano Estratégico de Transportes e as propostas do grupo de trabalho criado tendo em vista a reforma do sector na área de Lisboa, apesar de “dizer que se tratavam apenas de reformas e não de decisões”.
Jerónimo de Sousa avançou ainda com mais exemplos, como “a supressão de serviços na CP, afectando milhares de utentes das linhas suburbanas e do serviço regional”, desde domingo passado, “às escondidas dos trabalhadores, dos utentes e da própria opinião pública.”
Outros casos referidos pelo secretário-geral do PCP foram “o fim das isenções de 50% no custo dos passes sociais para estudantes e idosos” a partir de Janeiro ou as privatizações anunciadas no transporte aéreo.
“O PCP reafirma que o país está perante uma política para o sector dos transportes que é absolutamente criminosa. A milhões de portugueses, seja por via do agravamento dos preços, seja por via da eliminação de serviços, será negado o direito à mobilidade”, disse Jerónimo de Sousa, numa declaração em Lisboa que antecedeu uma reunião interna do partido sobre o sector dos transportes.
Para os comunistas, “no plano económico”, a política do Governo nesta área “é a expropriação ao povo português de empresas estratégicas para o desenvolvimento do país, é a demissão completa do Estado da sua intervenção por via das empresas públicas de transportes no papel estruturante que estas têm” em níveis como o planeamento urbano, a sustentabilidade ambiental ou a “defesa do emprego com direitos.”
“Um papel que nenhum grupo económico assume ou assumirá”, acrescentou Jerónimo de Sousa. Porque para o PCP “a estratégia do Governo que ameaça destruir as empresas e todo o sistema de transportes públicos” tem como objectivo a privatização do sector e, em especial, a sua transferência para “as mãos do capital estrangeiro”, particularmente francês e alemão, “de onde são oriundas empresas como a DB ou a Transdev, que já hoje operam em Portugal”.
Na mesma declaração, o líder comunista lamentou a existência daquilo a que chamou “uma campanha vergonhosa feita contra os trabalhadores” e que “visa não só atribuir-lhes a responsabilidade pelo buraco financeiro” das empresas do sector, como retirar-lhes direitos.
A este propósito, deu o exemplo da CP, que em 2011 pagou 180 milhões de euros em juros à banca, “mais 60 milhões que o total de salários deste ano” e que “a cada ano que passa paga cada vez mais à banca e menos aos ferroviários”.

