PCP acusa Governo de prosseguir com ofensiva contra trabalhadores da função pública

08.11.2011 - 19:17 Por Lusa
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou nesta terça-feira o Governo de "prosseguir com uma ofensiva sem precedentes contra os trabalhadores da função pública" ao avançar com os cortes nos subsídios de Natal e de férias.
"A violência que decorre para com os trabalhadores da administração central, regional e local de eliminação dos subsídios, que eles dizem temporária mas que querem que não seja, visa prosseguir uma ofensiva sem precedentes contra os trabalhadores da administração pública", disse Jerónimo de Sousa, durante uma visita a Sintra.
O líder comunista comentava assim as declarações do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, que anunciou que "não há almofadas" no Orçamento do Estado para 2012 que permitam manter um dos subsídios salariais na função pública, conforme proposto pelo PS.
Jerónimo de Sousa criticou também a proposta do Governo para a reorganização dos transportes públicos, considerando que o executivo pretende "infernizar a vida de muitos portugueses que trabalham à noite" através da redução drástica de linhas, de carreiras e de encerramentos nocturnos.
O responsável saudou a adesão à greve de hoje dos trabalhadores dos transportes públicos, que contestam as novas medidas de austeridade, como a suspensão dos subsídios de Natal e de férias, e o plano de reestruturação dos transportes, que prevê fusões das empresas públicas.
"Estes trabalhadores procuraram defender os seus postos de trabalho ameaçados, mas também defender os interesses dos utentes e da população que necessita de recorrer aos transportes públicos", disse.
O secretário-geral do PCP adiantou que, com todas estas "medidas de corte e de arrasamento das condições de vida e dos direitos dos trabalhadores" o país "vai mesmo ao fundo".
"Sem capacidade de consumo, sem respeito pelos direitos de quem trabalha e sem ganhar a confiança dos trabalhadores para o desenvolvimento económico, este caminho que estamos a seguir, de sacrifício em sacrifício, só se for para afundar o país", adiantou.
Jerónimo de Sousa participou esta tarde no debate "Em defesa da Água Pública", que decorreu nos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Sintra.

