A necessidade de "estabilidade duradoura" na região dos Balcãs, através da integração nas instituições europeias, e as afinidades entre a Sérvia e Portugal foram os temas hoje privilegiados pelo chefe da diplomacia portuguesa numa alocução perante diplomatas sérvios.
"Para a Sérvia, este é o momento. Para a Sérvia, é o tempo da Europa. A hora de Europa chegou", referiu Paulo Portas, "convidado de honra" na sessão de abertura do seminário anual dos embaixadores da Sérvia que decorreu no antigo Palácio da presidência federal jugoslava, em Belgrado.
No discurso intitulado "A Sérvia pertence à Europa", e exprimindo-se em inglês, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português estabeleceu um paralelo entre o percurso de Portugal e da Sérvia, dois países situados em "diferentes extremos" da Europa mas "orgulhosos da herança cultural", com uma "história extraordinária" e que sabem "construir pontes através das culturas e religiões".
À semelhança das declarações proferidas no domingo após o encontro com o homólogo Vuk Jeremic, no início da visita oficial de 24 horas, Paulo Portas sublinhou perante o corpo diplomático sérvio o apoio total do governo de Lisboa ao processo de adesão da Sérvia à União Europeia (UE), e quando o Conselho Europeu de Março se preparara para formalizar a concessão do estatuto de candidato a Belgrado.
No entanto, também advertiu que o processo "não será fácil e vai impor escolhas muito claras", mas sem deixar de emitir uma mensagem de alento: "Confiamos nos líderes da Servia".
Numa referência aos principais desafios do governo pró-ocidental de Belgrado, Paulo Portas elegeu a "gigantesca tarefa de reforma e adaptação às exigências de um membro" da UE e destacou o "problema do Kosovo", que permanece a chave para garantir o objectivo comum de aproximar a Sérvia "e toda a região" da UE.
Contudo, Paulo Portas enfatizou que Portugal "não lamenta ter demorado tanto tempo a reconhecer a independência do Kosovo", a ex-província meridional da Sérvia com maioria de população albanesa que declarou a independência unilateral em Fevereiro de 2008. Lisboa optou pelo reconhecimento em Outubro desse ano.
"Precisamos de paz e segurança como base para o progresso e prosperidade na região. E que apenas é possível com sustentadas e amigáveis relações entre os vizinhos", disse.
O ministro português também tranquilizou a assistência sobre os objectivos da diplomacia portuguesa para esta região da Europa.
"Não temos pretensões hegemónicas nem agendas ocultas e o nosso interesse na Sérvia, e nos Balcãs ocidentais em geral, consiste em contribuir para a paz, segurança, estabilidade e prosperidade a longo prazo", lançou perante a plateia de diplomatas sérvios, ladeado pelo homólogo Vuk Jeremic.
A "importante presença no Kosovo" e o respeito generalizado pelos soldados portugueses foi outro aspecto enfatizado por Portas, que recordou em paralelo a "presença de Portugal" no Conselho de Segurança da ONU, onde "encoraja e apoia um diálogo político reforçado em toda a região" destinado a contribuir para a paz e estabilidade e estimular o activo envolvimento da Sérvia neste objectivo.
No discurso de abertura, o chefe da diplomacia de Belgrado, Vuk Jeremic, tinha-se já referido ao "elevado nível de volatilidade geopolítica" num mundo actual que "em muitos aspectos recorda o período da Revolução Francesa".
Jeremic destacou a "mais devastadora calamidade económica que o mundo conhece desde a Depressão da década de 1930" e que terá "inevitavelmente" um impacto na região dos Balcãs, mas que não vai alterar o principal objectivo estratégico de Belgrado.
"O entusiasmo sobre o alargamento esmoreceu, mas não afecta a determinação estratégica do governo em garantir a integração da Sérvia na UE", assinalou.


