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Debate quinzenal

Jerónimo de Sousa aconselha Passos a não desejar Boas Festas aos portugueses

16.12.2011 - 11:04 Por Lusa, Sofia Rodrigues

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Líder do PCP elencou os aumentos dos custos para os portugueses anunciados pelo Governo nas últimas semanas Líder do PCP elencou os aumentos dos custos para os portugueses anunciados pelo Governo nas últimas semanas (Daniel Rocha)
O secretário-geral do PCP aconselhou o primeiro-ministro a não desejar as Boas Festas aos portugueses por poder “ser mal entendido”.

“Há muitos portugueses que não vão ter Boas Festas, os desempregados, os pobres, os excluídos”, disse Jerónimo de Sousa, durante o debate quinzenal no Parlamento, enumerando as medidas conhecidas e aprovadas nos últimos dias sobre aumentos de custos como o da electricidade e taxas moderadoras, mas também do aumento do horário de trabalho em meia hora por dia e o corte no subsídio de desemprego.

Mas caso se dirija aos cidadãos, como é tradicional no Natal, “tape as orelhas porque o que poderia ouvir seria significativo”, sugeriu o líder comunista a Pedro Passos Coelho, acrescentando que "pode ser mal entendido por milhares de famílias que não vão ter boas festas nem sequer ceia de Natal". "Faça as boas festas com a sua família e não se dirija aos portugueses", reiterou o líder comunista.

O primeiro-ministro deu de imediato a resposta. “Não posso seguir o seu conselho, vou dirigir-me aos portugueses”, disse, justificando as medidas de austeridade como a única forma de o país ultrapassar a crise.

Sobre o Conselho Europeu, que era aliás o tema do debate quinzenal, Jerónimo de Sousa criticou a tendência "insistente" para a "acelerada concentração" do poder na União Europeia - que é, também ela, comandada pelos desígnios da Alemanha e da França. E voltou a defender a necessidade de Portugal renegociar a dívida.


Verdes recusam limites ao défice na Constituição
A deputada do PEV Heloísa Apolónia recusou hoje a inscrição de limites ao défice na Constituição, mas o primeiro-ministro insistiu na necessidade de resgatar Portugal da situação da "ditadura do défice e da dívida".

"Num país profundamente fragilizado como o nosso, o que isto pode significar é a perda da capacidade completa de gerarmos riqueza, porque num determinado momento nós podemos ter uma necessidade absoluta de promover investimento para a curto prazo ganhar com isso, para gerarmos riqueza", sustentou Heloísa Apolónia.

Numa intervenção muito crítica sobre as soluções acordadas no conselho europeu, Heloísa Apolónia deu ainda como certa uma certeza: "Uma coisa saiu desta cimeira, a austeridade não é provisória, ela tende a ser definitiva", disse. Depois, a deputada do PEV fez ainda alusão à natureza "ondulante" das declarações do primeiro-ministro relativamente "a mais ou menos austeridade", questionado Passos Coelho se irá propor mais aumentos de impostos.

"Não tenho nada de novo para lhe acrescentar", respondeu o primeiro-ministro, convidando Heloísa Apolónia a analisar "o caminho do passado" que levou Portugal à actual situação, em vez de "aquilo a que se chama a pergunta de pacotilha" sobre se o Governo vai ou não aumentar mais impostos. "Tudo isso está respondido e está bem respondido quer no programa de Governo, quer no Orçamento que foi aprovado nesta Assembleia e é por ele que nos vamos guiar", frisou.

Notícia actualizada às 13h20 Acrescenta posição d'Os Verdes




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