Acusa Cavaco de falta de "sinceridade"

Jerónimo de Sousa admite ponderar apoio a deputados do PS que enviem orçamento para o TC

04.01.2012 - 23:25 Por Maria Lopes

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Líder do PCP defende que a taxação dos dividendos das empresas seja feita onde as receitas foram obtidas. Líder do PCP defende que a taxação dos dividendos das empresas seja feita onde as receitas foram obtidas. (Nuno Ferreira Santos)
O líder do PCP admite ponderar o apoio do PCP à iniciativa de um grupo de deputados socialistas que anunciou tencionar pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado para 2012.

Jerónimo de Sousa, que falava esta quarta-feira à noite no programa Política Mesmo da TVI24, avisa que “não basta anunciar, é preciso concretizar”, mas admite “ponderar, caso exista de facto essa iniciativa”. Até porque é preciso um número mínimo de deputados que o próprio PCP não tem, lembra, e o próprio PS está num limbo de contradição. “O PS assinou o pacto e viabilizou o OE e agora encontrou este recurso para protestar. Pois que o concretizem, que o PCP acabará por ponderar o que fazer.” Mas avisa: “

Porém, o líder do PCP diz não ter “ilusões”. “Tendo em conta as últimas decisões do TC [no ano passado o Bloco de Esquerda também pediu ao TC que se pronunciasse sobre algumas medidas de austeridade do OE2011 e este não lhe deu razão] e o tempo que tem para decidir não me parece que o recurso ao TC seja um instrumento determinante para fazer frente a esta ofensiva do Governo e este OE”. Jerónimo prefere antes considerar determinante a “capacidade de convergência dos trabalhadores”. Daí o seu apoio a iniciativas como a da CGTP que esta quarta-feira anunciou mais uma manifestação que terá lugar a 11 de Fevereiro em Lisboa.

Apesar desta porta entreaberta a este grupo de deputados, Jerónimo deixa críticas à atitude do PS. “Não se percebe bem qual a posição do PS em termos de partido e de grupo parlamentar. Esta semana ouvi Zorrinho dizer que tanto faz apresentar como não apresentar [o pedido de fiscalização junto do TC]. O PS quer estar bem com Deus e o diabo.”

Falta sinceridade a Cavaco

Sobre a promulgação do Presidente da República sem qualquer reparo mesmo depois de ter criticado publicamente algumas das medidas, Jerónimo não poupa Cavaco, a quem acusa de não ter um posicionamento sincero. Por isso diz não ter estranhado a atitude do chefe do Estado. “Não acho estranho porque o Presidente da República não é capaz de resolver a contradição que é estar de bem com este pacto de agressão e depois estar mal com as injustiças e as mediadas gravosas que provoca. Não pode querer sol na eira e chuva no nabal. Tem que ser coerente”, vincou.

Questionado sobre se o PCP está de relações cortadas com o Governo por este ter aprovado o projecto de alteração do horário de trabalho em Conselho de Ministros sem consenso da concertação social, Jerónimo respondeu com uma pergunta. “Mas que diálogo é que este governo quer?”, disse, recordando que na concertação social o executivo “quis dialogar e concertar apenas aquilo que eram as suas posições e propostas; não quis alterar nada; enganou os sindicatos, andando ali a entreter”. E depois apresentou no Parlamento as propostas. “É a demonstração de que o Governo não quer diálogo nem sequer a paz social. Quer a paz dos cemitérios, a ideia da resignação, do conformismo, da inevitabilidade, do ‘tem que ser’. Isso não é dialogo” mas apenas “conversa fiada e verbo de encher”.

Dividendos devem ser taxados onde a receita é obtida

Jerónimo de Sousa defende que os dividendos dos lucros das empresas devem ser taxados no país onde foram obtidas as receitas que os motivaram. O líder do PCP referia-se à deslocalização do principal accionista da Jerónimo Martins, dona da cadeia de supermercados do Pingo Doce, para a Holanda, anunciada esta semana.

“O grupo Jerónimo Martins fez como os outros, serão quase 19 das empresas do PSI-20”, afirma o líder do PCP, acrescentando que “o que choca aqui é os chefes do grupo ainda virem com concepções moralistas e críticas e declarações mais ou menos patrióticas, mas depois põe o seu dinheiro ao fresco no estrangeiro”, comentou Jerónimo de Sousa. A decisão é legal, admite, deixando antes a crítica para “quem o aprovou”. Porém, “não tem sentido de justiça nem legitimidade”, acusa.

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Deserção do noooooosso dinheiro para a Holanda

È por causa destas e de outras que pagamos o que pagamos e que nos "roubam o que nos roubam e o que ...

calberto

05.01.2012 07:52