Crise do euro

Cavaco acusa líderes europeus de “se deixarem chantagear” por agências de rating

20.01.2012 - 15:15 Por Margarida Gomes

  • Votar 
  •  | 
  •  1 votos 
 (Foto: Adriano Miranda)
O presidente da República, Cavaco Silva, censurou nesta sexta-feira, com alguma veemência, a resposta que os dirigentes europeus e as instâncias europeias têm dado à pressão das agências de notação financeira perante a crise actual, afirmando mesmo que se “deixam condicionar politicamente” pelas agências de rating.

“Até este momento não se viu quase nada. Surpreendo-me como 27 chefes de Estado e do Governo se deixam condicionar politicamente por agências de rating e aceitam mesmo alguma chantagem de natureza política feita por agências de rating”, declarou Cavaco Silva ao ser questionado pelos jornalistas, no Porto, sobre as declarações do Presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, que, ontem, também no Porto, disse que agências de notação financeira têm sido mais parte do problema do que da solução na crise actual.

“A minha surpresa não está na actuação nas agências de rating, porque em relação a essas já não vale a pena fazer qualquer comentário. O que me surpreende são os líderes europeus, como se resignam a esta situação apesar de gritarem no dia seguinte”, declarou Cavaco.

Quanto ao impasse relativamente à assinatura ao seu resgate financeiro da Madeira, Cavaco disse esperar que “tão cedo quanto possível tenhamos um acordo assinado entre as partes envolvidas neste programa de ajustamento da Madeira”. Neste momento trata-se de uma negociação com as entidades internacionais, uma negociação entre dois órgãos que pertencem a uma mesma República, esperemos que se chegue a um acordo”, salientou a ainda.

Cavaco lamentou que a GCTP-IN tenha ficado de fora do acordo assinado anteontem entre o Governo e os parceiros sociais. “A informação que tenho da parte sindical é que só assinou este acordo quando estava absolutamente certa de que a situação dos trabalhadores seria melhor havendo acordo do que aquela que seria não havendo acordo, e é esta comparação que deve ser feita. “Eu preferia que [a CGTP] tivesse assinado. A Intersindical representa uma parte dos trabalhadores portugueses e eu gostaria que estivesse associado a este acordo”, sublinhou o chefe de Estado.

Cavaco Silva inaugurou nesta sexta-feira de amanhã no Porto as novas faculdades de Medicina, Farmácia e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Na intervenção que fez no final da visita às três instituições, o Presidente da República disse que a crise económica que o país atravessa não pode ser pretexto para abandonar a aposta no desenvolvimento do conhecimento científico.

“Abraçar a ideia de que a crise económica que vivemos constitui razão suficiente para se abandonar a aposta no desenvolvimento do conhecimento do conhecimento científico seria, certamente, uma visão míope”, disse Cavaco, considerando que a Universidade do Porto “é um bom exemplo dos progressos que Portugal tem feito nas últimas décadas no domínio do progresso científico”.

Estatísticas

  • 29 leitores
  • 5 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1529981

Comentário + votado

Alemanha usa agências de rating em seu benefício

Ora, ora. A Alemanha está a usar as agências de rating(AR) para benefício próprio. Os bancos ...

Francisco Tavares

20.01.2012 23:17

X

Mais em Política (13 de 19 artigos)

PS acusa Governo de ter feito “apagão” no seu portal ao eliminar documentos históricos