Zeinal Bava garante no Parlamento que nunca soube da tentativa de compra da TVI pela Taguspark

30.04.2010 - 08:23 Por Ana Brito
Presidente da PT admite que conversas com a Prisa sobre a TVI já existiam em Maio. PGR recusa enviar despachos de arquivamento das certidões do Face Oculta.
As alegadas diligências de Rui Pedro Soares para tentar comprar parte da TVI através da Taguspark nunca chegaram aos ouvidos do presidente da comissão executiva (CEO) da Portugal Telecom (PT). Zeinal Bava assegurou ontem na comissão parlamentar de inquérito (CPI) que "desconhecia a transacção da Taguspark" e que nada liga este negócio à PT. "Se e quando efectivamente [Rui Pedro Soares] esteve envolvido em qualquer tentativa de compra [da TVI] pela Taguspark, fê-lo enquanto administrador não executivo daquela sociedade", garantiu.
Questionado sobre a viagem do ex-administrador executivo da PT a Madrid, a 3 de Junho - que foi paga pela operadora -, Bava revelou que só tomou conhecimento dela quando a CPI solicitou informação. "Não sei o que ele foi fazer a Madrid ou com quem esteve", garantiu o gestor, justificando que se a viagem foi aprovada sem se conhecer o objectivo é porque na comissão executiva da PT se trabalha "num quadro de confiança".
Mas hoje o assunto está a ser investigado internamente. "Esta coisa das viagens é recente, naturalmente que a comissão de auditoria vai debruçar-se sobre uma série de assuntos", disse.
Sobre o início das negociações com a Prisa para a aquisição de parte da TVI, Bava admitiu que os contactos com o grupo espanhol eram anteriores à reunião de 19 de Junho, que em declarações anteriores no Parlamento apontou como o início do processo.
Bava mencionou "um contínuo de reuniões em Maio, Junho", que fizeram a PT "reflectir sobre o assunto" de avançar para a Media Capital. Embora "a data mais relevante" seja 19 - "Porque foi quando começámos a negociar uma transacção" -, já antes se tinha colocado a questão de as duas empresas serem "excelentes parceiros numa plataforma aberta de TV". Um cenário que a Prisa sempre "viu com bons olhos", assegurou Bava, esclarecendo que a reunião de dia 19 era para discutir contratos publicitários, mas viu o seu "âmbito alargado" para um potencial investimento, por sua iniciativa: "O pai da ideia fui eu."
Zeinal Bava mostrou-se particularmente duro sobre a eventual intervenção de Paulo Penedos no processo TVI - o advogado disse aos deputados que marcou uma reunião entre Rui Pedro Soares e Manuel Polanco. "Se efectivamente falaram [Rui Soares e Penedos] sobre o assunto, não o deveriam ter feito, porque era uma transacção confidencial", afirmou. "Quem define as equipas sou eu, é uma competência que não delego em ninguém", sublinhou. E a equipa "era restrita" - além dele apenas estavam envolvidos Rui Pedro Soares, Pacheco de Melo e mais tarde Henrique Granadeiro.
Num dia em que se soube que o PGR recusou o pedido do PSD para enviar à CPI os despachos de arquivamento das certidões extraídas do processo Face Oculta expurgadas das escutas consideradas nulas, chegou ao Parlamento o despacho de acusação do processo Figo-Taguspark, que o PCP considera vir identificar "uma ligação" entre a actuação de Rui Pedro Soares enquanto administrador da PT e as suas motivações político-partidárias. O Bloco de Esquerda requereu ao Ministério Público e ao juiz de instrução criminal a cópia de todos os documentos do processo e depoimentos dos inquiridos. A PGR deu andamento à queixa dos deputados pela recusa de Pedro Soares responder a questões na CPI.

