Os líderes socialistas de Portugal e Espanha, José Sócrates e José Luís Rodríguez Zapatero defenderam hoje o apoio à esquerda nas próximas eleições europeias, que consideram vital para conseguir que a Europa ultrapasse a crise.
"Há uma escolha a fazer, entre uma visão da esquerda e da direita para Europa. Os cidadãos europeus devem perceber que este é o momento para construir uma Europa com um esforço mais regulador, com mais pendência social e que isso só se consegue com uma vitória da esquerda", disse José Sócrates, hoje em Valência.
Em declarações aos jornalistas portugueses, Sócrates e o seu homólogo espanhol José Luís Rodríguez Zapatero explicaram que a participação conjunta, hoje, no comício do PSOE em Valência e, mais tarde, no comício do PS em Coimbra é "uma ajuda mútua, entre companheiros e amigos".
"Estou-lhe muito agradecido e muito contente por o ter aqui. É muito querido em Espanha", disse Zapatero.
Questionado pela Lusa sobre a dificuldade de mobilização do eleitorado socialista, Zapatero afirmou que a campanha serve, exactamente, para "convocar as pessoas a irem votar, para explicar porque devem votar e porque devem votar socialista".
"A Europa é um grande projecto, o parlamento europeu vai ter mais poder. O caminho de Portugal e de Espanha é o caminho da Europa. As leis de Espanha e Portugal são as leis da Europa, as empresas de Espanha e Portugal vão ser as empresas da Europa", disse, considerando que "há muitas pessoas que não gostam que as pessoas vão votar".
Sócrates disse que os dois comícios, hoje em Valência e mais logo em Coimbra são também " uma homenagem as dois partidos que nunca se enganaram e que nunca tiveram duvidas que os destinos de Portugal e de Espanha se cumpriam no projecto europeu".
"Desta forma fazemos uma homenagem à história europeia dos dois partidos, do PS e do PSOE, e a Mário Soares e Felipe Gonzalez", afirmou.
Ao mesmo tempo, explicou, trata-se de "lutar pelos mesmos ideias", continuando o trabalho do PS e do PSOE que "sempre estiveram na primeira linha do projecto europeu".
"Em particular nesta crise. Se há uma lição a tirar desta crise é de que nós precisamos de uma Europa mais forte, de mais Europa. Os cidadãos portugueses e espanhóis sabem que estão mais bem defendidos com a Europa, de que a melhor forma de sair da crise é com a Europa", disse.
Posição ecoada por Zapatero para quem o novo parlamento europeu deverá ter como "principal tarefa a recuperação económica".
"E de certeza que conseguiremos ultrapassar a crise, avançar, fazer uma nova economia que assegure que crises como esta não voltam a ocorrer", disse.


