Voto no CDS é "música celestial", avisa Marcelo Rebelo de Sousa

19.09.2009 - 23:46 Por Filomena Fontes, Nuno Simas
A bipolarização chegou em força à campanha do PSD. Com um ingrediente novo: o CDS. O ex-líder Marcelo Rebelo de Sousa deu o passo que faltava para a Manuela Ferreira Leite avisar que só há duas escolhas para nas eleições de dia 27: ela ou José Sócrates.
“Quem gostar disto deve votar nele”, disse a presidente social-democrata num encontro com militantes em Coimbra. Votar nos “outros partidos” - “por protesto” ou “conveniência” – nada resolve. Pelo contrário, “só contribuirá para a pulverização da Assembleia da República”, mas não contribuirá “em nada” para resolver os problemas do país. Em pano de fundo esteve, nas sucessivas intervenções, o cenário de ingovernabilidade do país e a ameaça repetida por Marcelo de que, perante a instabilidade política que se instalará, haverá novas eleições dentro de dois anos.
“Daqui a oito dias, os portugueses vão dizer se querem mais do mesmo mais dois anos até cair e haver novas eleições para a mudança ou se querem a mudança já”, dramatizou Marcelo. “Vale a pena perder mais dois anos? Não vale a pena”.
Antes, já Marcelo se entregara a um exercício pedagógico de explicar o desperdício de os eleitores votarem noutros partidos, incluindo o CDS. Disse Marcelo que votar PCP ou BE só ajudará a manter José Sócrates sem maioria absoluta. O mesmo acontecerá a quem votar no CDS convencido que o voto em Ferreira Leite “cairá do céu”. A mudança que o país precisa, disse, só Manuela Ferreira Leite a pode protagonizar. “O resto é música celestial”. Por isso, “quem estiver farto tem que votar massivamente no PSD”.
Embalada pelo discurso de Marcelo, Ferreira Leite – que o recebeu com um abraço emocionado – chegou mesmo a dizer que o país estaria diferente se o professor tivesse tido condições para chegar às eleições e ser “primeiro-ministro de Portugal”. Uma indirecta a Paulo Portas, que, em 1999, precipitou a queda da AD, com Marcelo na liderança do PSD.
Resposta a Alegre
Com Manuel Alegre a pouco distância num comício do PS a juntar-se a Sócrates, Marcelo entrou na campanha da líder, de quem não tem escondido algumas divergências, pelo lado do afecto. Falou para a “família do PSD”. “Não pensamos todos o mesmo, mas nestes momentos decisivos estamos unidos como em todas as famílias para ultrapassar os desafios que se nos colocam”, disse.
Depois do tributo, vieram as tácticas. “É essencial que a vitória seja clara e forte, com as melhores condições para mudar Portugal”; “o combate tem que ser mais arrojado, mais ambicioso, faltam oito dias para convencer os indecisos”; devemos “passar a palavra com convicção, com esperança, com alegria”. E Marcelo temperava o guião para a líder lembrando que “a alegria marcou a raça do PPD que é hoje o PSD”. Pelo meio, incitou os militantes a “convencerem” os muitos indecisos nos oito dias que falta de campanha.
Sem grandes novidades no discurso, Ferreira Leite insistiu na tese que os socialistas estão a conduzir o país ao descalabro, mas que os portugueses têm a possibilidade de escolherem a mudança. “Isto que está a acontecer não é uma fatalidade”, clamou a líder social-democrata, voltando a acusar José Sócrates de fomentar “um clima de medo” que atrofia a democracia. Ferreira Leite diz que não aceitar viver num “país em que há um primeiro-ministro que é capaz de agredir e insultar uma linha editorial de uma televisão, de agredir e insultar um director de um jornal de referência, em que os empresários não falam daquilo que lhes compete por medo de represálias”.
Outra vez o medo
Paulo Mota Pinto, cabeça-de-lista por Coimbra, também alinhou o discurso pelo mesmo diapasão e alertou que está “a perder-se o espaço de respiração” na democracia portuguesa. “A mão fria do Estado, invisível, cai sobre quem discorda”, exemplificou. E considerou mesmo um “imperativo patriótico” o voto no PSD, o único partido em condições de oferecer a mudança.Mota Pinto rejeitou ainda “pressões” ou “perseguições” a agentes judiciais, a propósito caso do juiz Rui Teixeira.

