O líder parlamentar do PS, Francisco Assis, considerou ontem que voto contra do Partido Comunista (PCP) em relação ao Orçamento do Estado para 2010 é “profundamente irresponsável”.
“A visão do PCP é profundamente irresponsável. Temos de ter equilíbrio nas finanças públicas, não apenas porque isso é bom, objectivamente, mas também porque temos compromissos no plano europeu e somos todos os dias avaliados pelos mercados internacionais”, afirmou Francisco Assis, à margem de um encontro com militantes socialistas que se realizou ontem à noite em Sintra.
“O PS tem a seu favor a circunstância de ter baixado radicalmente o défice no Governo anterior. Tivemos uma crise económica e financeira gravíssima de proveniência internacional, tivemos de fazer face e por isso aumentámos o défice (9,3 por cento) como resposta à crise”, afirmou o líder parlamentar socialista. “Se o não tivéssemos feito hoje haveria mais desemprego e uma situação mais grave do que a que temos e agora estamos a recomeçar a combater o défice orçamental e o Orçamento para o próximo ano já traduz essa vontade”, acrescentou.
Durante o discurso dirigido aos militantes do seu partido, Francisco Assis avaliou a aprovação do Orçamento do Estado como “um momento crucial na vida desta legislatura”. “Fizemos um caminho difícil desde as legislativas até este momento e, não dispondo de maioria absoluta, precisamos de alguém que nos apoie e garanta a viabilização do Orçamento”, esclareceu Francisco Assis, sublinhando que com a aprovação do Orçamento do Estado para 2010, com a abstenção da direita e votos contra dos partidos de esquerda, “estabiliza-se um pouco a política do país”.
O líder parlamentar socialista afirmou ainda que o desafio do Governo para os próximos tempos é “retomar a vontade de fazer reformas em diversas áreas”, até mesmo porque, disse, “pode haver uma crise a qualquer altura e o Governo cair”. “Pode haver uma crise a qualquer momento que pode deitar a baixo este Governo e exigir eleições antecipadas. Mas nessa hora é importante que estejamos fortes e isso só será possível se o país perceber que estamos a agir como agimos no Governo anterior, ou seja, com vontade de mudar”, concluiu.


