Vitória do PSD em 2015 e futuro do país dependem do cumprimento do memorando

31.01.2012 - 23:06 Por Maria José Oliveira
Pedro Passos Coelho alertou nesta terça-feira os militantes sociais-democratas que a hipótese de o PSD ganhar as próximas legislativas depende do cumprimento integral do acordo com a troika. Mas não só. O primeiro-ministro está também a pensar no país e no seu futuro, explicou.
“Se à primeira dificuldade eu me pusesse a chorar [perante as autoridades internacionais], então nessa altura o descrédito para Portugal seria total e o problema não era o PSD perder as próximas eleições, era Portugal perder duas décadas”, disse durante a sessão de apresentação do livro “Contributos para uma social-democracia portuguesa”, que reúne as propostas de revisão do programa do PSD. “O que estamos a fazer não é apenas a pensar nas próximas eleições”, especificou, “é também a pensar no futuro do país”.
Apesar de Passos estar diante de uma plateia de militantes da distrital de Lisboa, o seu discurso centrou-se mais na mensagem de que o Governo “não desistirá de cumprir o programa que outros negociaram para Portugal e que os portugueses merecem que seja executado”. Até porque para o PSD, sustentou, as medidas inscritas no memorando de entendimento com a troika convergem com o programa eleitoral do PSD e com o programa do Governo.
“No programa eleitoral que apresentámos no ano passado e no nosso programa do Governo não há uma dessintonia muito grande com aquilo que é o memorando de entendimento”, afirmou Passos, notando que o acordo com a troika não consiste numa “obrigação pesada”. “Não fazemos a concretização daquele programa obrigados, como quem carrega uma cruz às costas”, salientou.
Num recado para o PS, que tem insistido com o Governo na necessidade de alargar os prazos definidos com a troika, Passos disse que “quem quer cumprir aquilo que foi acordado não pode dizer que quer mais tempo e que quer mais dinheiro”. “O nosso filme não é esse”, frisou. Mas o Governo parece não saber como é que acabará o filme, pois já quase no fim da sua intervenção Passos adiantou, através de uma pergunta, o “grande teste que o país irá enfrentar”: “O país tem ou não capacidade para criar riqueza?”.
Seara em Lisboa?
No início da sessão, o presidente da distrital de Lisboa, Miguel Pinto Luz, anunciou que Fernando Seara, presidente da câmara de Sintra, terá “mais um desafio” no próximo ano, nomeadamente nas eleições autárquicas. “Estamos quase em 2013, data em que termina o seu último mandato como presidente da câmara de Sintra, e sabemos que tem a legítima intenção de ir para casa e de regressar às suas aulas. Desengane-se, senhor professor, nem pense nisso. O distrito precisa de si e em 2013 vamos dar-lhe mais um desafio”, disse, dirigindo-se a Seara, também presidente da Assembleia Distrital.

