Vital Moreira insiste que PCP deve pedir desculpas pelas "malfeitorias" de que foi alvo

03.05.2009 - 19:29 Por Lusa
O cabeça-de-lista do PS às eleições europeias, Vital Moreira, insistiu hoje que o PCP lhe deve um pedido de desculpas pelas "malfeitorias" dos seus "militantes ou simpatizantes" pela agressão e insultos de que foi alvo sexta-feira.
"Quem faz o mal, não deve fazer a caramunha. Eu continuo a aguardar tranquilamente as desculpas que o PCP deve ao PS", afirmou hoje Vital Moreira aos jornalistas, durante uma visita à feira agro-pecuária Ovibeja. Acompanhado por vários elementos do partido, nomeadamente Capoulas Santos, eurodeputado e novamente um dos candidatos do PS às eleições europeias de 07 de Junho, o cabeça-de-lista socialista, questionado pelos jornalistas, voltou a abordar o sucedido na manifestação da CGTP, em Lisboa, no 1º de Maio.
"Eu estava ali [na manifestação] na qualidade de cabeça-de-lista do PS, integrando uma delegação oficial do PS que foi prestar uma visita de cortesia e de cumprimentos à direcção da CGTP. Estes são os factos e não admitem interpretação, nem especulação, nem a fuga às responsabilidades do PCP", argumentou. Vital Moreira, na sexta-feira, foi insultado e agredido por manifestantes que participaram no desfile organizado pela CGTP para assinalar o 1º de Maio.
Igualmente numa visita à Ovibeja, no sábado, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou o PS e o Governo de procurarem "instrumentalizar" as agressões a Vital Moreira, ao responsabilizarem o PCP, e escusou-se a pedir desculpas "a quem está mal intencionado".
"Alguém tem dúvidas de que eram militantes do PCP? Há coisas notórias que não precisam de demonstração", disse.
A prova, segundo o cabeça-de-lista socialista, ex-militante comunista, de que os protagonistas dos actos de sexta-feira eram do PCP está nas "invectivas" de que foi alvo: "Tipo traidor, tipo vendido, traíste o partido".
Vital Moreira esclareceu não ter dito que o PCP era responsável pelo que aconteceu na manifestação, mas sim que exigia desculpas do partido "pelas malfeitorias dos seus militantes ou simpatizantes".
Sobre a acusação de Jerónimo de Sousa, de que o PS está a "instrumentalizar" a situação, Vital Moreira limitou-se a referir: "Em matéria de demagogia, de tentar virar o feitiço contra o feiticeiro, já vi melhor". "Para mim, essa questão está terminada. Eu fui objecto de um desacato verdadeiramente antidemocrático, sectário e de pura perseguição pessoal e política, a mim e ao PS", frisou o candidato.
O cabeça-de-lista socialista preferiu deixar a mensagem ligada à agricultura para Capoulas Santos, antigo ministro dessa pasta, mas ainda elogiou o Alqueva e, lembrando as críticas de que o projecto foi alvo, contrapôs que "os alentejanos e o país sabem" que é "um dos grandes milagres feitos em favor" do sector agrícola. Nas declarações aos jornalistas, Capoulas Santos lançou o repto às outras candidaturas às eleições europeias para que "tenham a coragem de discutir com o PS o presente e o futuro da agricultura portuguesa no quadro da União Europeia" e dos "critérios de repartição das ajudas".

