O eurodeputado socialista Vital Moreira disse hoje acreditar que Portugal será capaz de vencer a "guerra" contra os especuladores e que "os especuladores nem sempre ganham e por vezes 'partem os dentes' e espero que desta vez os partam".
Em declarações à Agência Lusa, Vital Moreira, que foi o cabeça de lista do PS às eleições europeias do ano passado, sustentou que a decisão da véspera da agência de notação financeira Standard & Poor's (S&P) de baixar o "rating" da dívida pública portuguesa só vem demonstrar a "irracionalidade" da situação, até porque não existe qualquer razão válida para que tal aconteça.
Para o eurodeputado, Portugal é "claramente" o novo alvo dos ataques dos especuladores, pelo que é necessária uma posição firme do Governo, com o apoio da oposição, no sentido de "dizer muito claramente aos especuladores que não nos vencerão".
Vital Moreira afirmou por isso ter ficado agradado com o discurso do novo líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que hoje mesmo se reuniu com o primeiro-ministro José Sócrates para discutir a situação, já que mostra que "o principal partido da oposição" encara esta questão como "uma questão de Estado" e percebe que é a estabilidade da economia portuguesa que está em causa.
Considerando que o Governo está a tomar as medidas que se exigem, designadamente ao antecipar desde já medidas do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), Vital Moreira lamentou todavia a forma "passiva" como a União Europeia tem lidado com a situação.
"A UE e os Estados-membros têm arrastado os pés de forma irresponsável", disse, apontando que há já muitas semanas que a União deveria ter dito de forma muito clara à Grécia as condições que deve cumprir para atingir o reequilíbrio das contas públicas.
Sublinhando que a Grécia tem muita responsabilidade na situação que agora enfrenta, Vital Moreira disse que a UE tem no entanto a obrigação de "libertar a Grécia das garras" dos especuladores, pois "não pode assistir a este triunfo da irracionalidade especulativa sobre um membro da zona euro, por mais culpas que este tenha", já que será toda a zona euro que sairá derrotada.


