Vital Moreira afirmou hoje, em declarações ao Rádio Clube, que o PS não tem condições para fazer coligações pós-eleitorais, quer à direita quer à esquerda, independentemente do resultado nas eleições legislativas de domingo. Para o constitucionalista e cabeça-de-lista pelos socialistas nas últimas eleições europeias, resta a José Sócrates liderar um “governo monopartidário” com as “vulnerabilidades que essa situação cria”.
Por isso mesmo, Vital Moreira admite que a próxima legislatura não dure os quatro anos previstos e que o país venha a ter eleições mais cedo. Isto porque, insistiu, “ninguém deve ter ilusões” de que possam ser feitas alianças se o próximo Governo for PS e porque até agora “só um [Governo minoritário] chegou ao fim e à custa de enormes cedências”.
Além disso, o agora eurodeputado sublinha que é importante que a próxima liderança seja afirmativa, por oposição ao que considera ter acontecido no Governo de António Guterres – mesmo que o preço a pagar sejam umas eleições antecipadas.
Vital Moreira diz, ainda, que o PS não deve ceder à oposição e que se tiver dificuldades em aprovar os orçamentos e em conseguir “maiorias de geometria variável” é preferível clarificar a situação com novas eleições para perceber “se deve governar quem ganhou as eleições ou se devem governar as oposições coligadas”.
Sobre as recentes polémicas em torno do Presidente da República e das alegadas escutas em Belém, Vital Moreira comentou apenas que a “autoridade moral” de Cavaco Silva está claramente abalada, pelo que neste momento não pode contribuir para a estabilidade do país. “Não bastam os instrumentos políticos que a Constituição lhe dá”, rematou.


