O BPN e o imposto único europeu dominaram hoje o debate entre os cinco cabeças-de-lista dos principais partidos às europeus, com o candidatado socialista Vital Moreira a qualificar a questão do BPN um "fait-divers" da campanha.
No último debate antes das eleições europeias de domingo, na Antena 1, o cabeça-de-lista do PS Vital Moreira, afirmou que a questão do Banco Português de Negócios (BPN) na campanha "não foi central", mas sim "lateral".
"O BPN foi um fait-divers", disse Vital Moreira no debate que hoje à noite vai ser transmitido às 22:00 na RTPN.
Para o cabeça-de-lista social-democrata, Paulo Rangel, as acusações do envolvimento de personalidades do PSD no caso BPN são "uma forma rasteira e baixa de fazer política".
Paulo Rangel destacou o trabalho que todos os deputados têm feito na comissão parlamentar de inquérito ao BPN, à excepção dos parlamentares do PS, que inicialmente estavam contra a criação deste grupo de trabalho.
O cabeça-de-lista do CDS-PP, Nuno Melo aproveitou a ocasião para questionar Vital Moreira sobre "se tem a certeza que não há pessoas do PS ligadas ao BPN".
O candidato do PS respondeu que "não" tem "visto ninguém do PS", mas Nuno Melo afirmou que poderá ter "grandes surpresas".
A cabeça-de-lista da CDU, Ilda Figueiredo, que durante a campanha não abordou a questão do BPN, afirmou que se trata de "uma guerra entre o PS e o PSD para desviar a atenção" dos assuntos europeus.
Por sua vez, o cabeça-de-lista do BE, Miguel Portas, lamentou a actuação do presidente do Banco de Portugal, Vítor Constância, que "ao longo de anos não fez o papel de polícia" ao ver "o buraco financeiro a crescer".
No debate, Vital Moreira continuou a defender o imposto único europeu, uma vez que é necessário "aumentar os recursos financeiros da União Europeia".
Apesar dos restantes candidatos partilharem da opinião de uma subida das receitas da UE, manifestaram-se contra a criação de um imposto único europeu.
Ilda Figueiredo propõe que o financiamento da UE seja feito através "de contributos e solidariedade" dos países mais ricos.
Sugestão que Miguel Porta contesta, ao mesmo tempo que propõe que a "política fiscal deixa de estar submetida à unanimidade" e que se obtenham fundos, por exemplo, nos paraísos fiscais.
No debate da Antena 1, os cinco candidatos manifestaram-se confiantes relativamente aos resultados de domingo e garantiram que cumpriram a sua missão durante a campanha.
"Se há partido que falou da Europa nesta campanha foi o CDS", disse Nuno Melo.
Também Vital Moreira afirmou que o PS "não fugiu ao debate" e como "europeístas e federalistas" foram o "único partido que falou da Europa".
Por sua vez, Ilda Figueiredo salientou que a CDU procurou "todos os dias que estivessem em debate temas europeus", tendo abordado a questão das pescas e da agricultura.
"Demonstramos que somos a favor de uma outra Europa", disse.
Paulo Rangel realçou que a "estratégia" do PSD foi debater as "questões nacionais com repercussão europeias".
"Cumprimos integralmente o nosso guião. Procuramos mostrar aos portugueses a execução medíocre dos fundos comunitários" e as alternativas para combater a crise, sustentou.
Miguel Portas afirmou que o Bloco de Esquerda "cumpriu o guião" durante a campanha, que se centrou sobretudo na crise financeira, desemprego e o direito à reforma após 40 anos de trabalho.



