Veto do Estado à venda da Vivo: Sócrates critica defensores de uma “tripla resposta”

06.07.2010 - 15:16 Por Maria José Oliveira
José Sócrates sustenta que o veto à venda da brasileira Vivo traduz a importância que o Governo atribui ao papel do Estado e insiste que a decisão “teve em conta os interesses nacionais”.
A controvérsia em torno do veto do Governo ao negócio da venda da participação da Portugal Telecom (PT) na Vivo foi hoje abordada pelo primeiro-ministro no encerramento das jornadas parlamentares do PS, realizadas na Assembleia da República.
A pretexto da “divergência” europeia e nacional sobre a importância da intervenção do Estado – “há quem defenda que um Estado fraco serve melhor as sociedades”, disse –, Sócrates notou que a polémica originada com a decisão do Governo “é bem reveladora do que está em cima da mesa”. “Acredito que os direitos essenciais do Estado, em áreas críticas como a das comunicações e informações e energéticas, áreas sensíveis para os interesses de todos os cidadãos, devem ser reguladas”, explicou.
Admitindo que existem “outros pontos de vista”, Sócrates aproveitou para criticar aqueles que defendem uma “tripla resposta”. “No momento em que o Estado é convocado para dizer sim ou não há quem defenda que o Estado devia apostar numa tripla resposta”, afirmou, apontando que foi Marcelo Rebelo de Sousa (embora tenha optado por não o nomear) quem “inspirou esta posição”: “O negócio é mau? É, mas pode-se fazer. A ‘golden share’ existe? Sim, mas não pode ser usada”, disse, numa caricatura das posições de Rebelo de Sousa acerca da despenalização do aborto.
“Esta é a posição de quem quer agradar a todos os sectores”, acrescentou, repetindo depois que a decisão do Governo “teve em conta os interesses nacionais”.

