Os medicamentos não sujeitos a receita médica poderão ser vendidos em supermercados, drogarias ou perfumarias, mas apenas a maiores de 16 anos e mediante supervisão de técnicos que podem não ser farmacêuticos, revelou o ministro da Saúde.
Correia de Campos falava na Assembleia da República, durante a apresentação de uma proposta de lei sobre a venda fora das farmácias de Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM).
Durante a sua intervenção, o ministro da Saúde distanciou a medida do Governo das praticadas noutros países onde estes medicamentos podem ser vendidos fora das farmácias, já que nestes é dispensada "a exigência da intervenção de farmacêuticos ou técnicos de farmácia no seu fornecimento, possibilitando mesmo o livre acesso e o auto-abastecimento por parte dos consumidores".
O que o Governo português pretende é que estes fármacos possam ser vendidos fora das farmácias, mas conservando a dispensa por, pelo menos, ajudantes de farmácia.
Isto porque, segundo Correia de Campos, pode ser suficiente "a intervenção de outros técnicos com formação adequada em farmácia, sem serem necessariamente farmacêuticos, como são os técnicos de farmácia".
Segundo o ministro, "não existe barreira constitucional à possibilidade de permitir a dispensa de MNSRM por técnicos de farmácia e não necessariamente por farmacêuticos, ao menos quando essa actividade decorra fora das farmácias".
Também "não existem impedimentos constitucionais à possibilidade de os farmacêuticos e os técnicos de farmácia poderem exercer a sua profissão fora das farmácias, até porque se trata de ampliar a esfera do exercício da profissão".
Sobre os locais onde poderão ser vendidos os MNSRM, Correia da Campos afirmou que estes "podem ser de vária natureza", como os "especificamente dedicados a esta actividade", mas também outros que "desejem acumular a venda de medicamentos com outros produtos que constituem a sua actividade principal", como supermercados, drogarias, perfumarias e outros que "preencham os requisitos exigidos".
No entanto, esta venda só será possível a maiores de 16 anos, conforme disse Correia de Campos, numa resposta a um pedido de esclarecimento da deputada do PP, Teresa Caeiro, que se manifestou preocupada com o acesso a estes medicamentos.
No mesmo esclarecimento, o ministro afirmou que, no que diz respeito à pílula do dia seguinte, esta será vendida fora das farmácias, uma vez que não precisa de receita médica.
Questionado por Teresa Caeiro sobre os riscos de um aumento do consumo de fármacos, Correia de Campos não negou esse risco, mas mostrou disponibilidade do Governo para redimensionar as embalagens e reduzir as dosagens.
Para o ministro, esta "não será uma medida de relaxamento das práticas", mas antes um "aumento do controlo dos riscos, que será mais rigoroso".


