A vitória do PPE no Parlamento Europeu coloca Durão Barroso em boa posição para ser reeleito como presidente da Comissão. Já para o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, será difícil sobreviver à pesada derrota dos trabalhistas
Durão Barroso
Posição ainda mais confortável
Durão Barroso deu ontem mais um passo em direcção ao seu segundo mandato à frente da Comissão. A vitória do PPE e a relativa derrota dos socialistas europeus coloca-o numa posição ainda mais confortável. Terá de lidar com um PE onde os liberais também têm perdas, onde os verdes (que não gostam dele) sobem e onde crescem drasticamente os chamados "outros" - os eleitos pelas pequenos grupos geralmente extremistas, vocacionados para complicar o jogo político.
Angela Merkel
Boas condições para Setembro
Angela Merkel ganhou duplamente. Ganhou as eleições com quase 40 por cento (perdeu três pontos em relação a 2004). Ganhou as condições quase ideiais para vencer em Setembro. Com pouco mais de 20 por cento, o SPD, seu parceiro de coligação mas também o seu principal rival, não se afirmou como alternativa credível. Pelo contrário, os liberais do FDP quase duplicaram a votação (12 por cento), abrindo as portas para a coligação que a chanceler deseja.
Nicolas Sarkozy
Um resultado quase perfeito
O Presidente francês viu o seu UMP passar a barreira superior das sondagens e viu os seus rivais socialistas romper a barreira inferior. Depois de uma derrota pesada nas municipais, precisava desta vitória folgada para iniciar com força a segunda etapa do seu mandato no Eliseu. À sua esquerda, tem uma paisagem política estilhaçada. Conseguiu, com o recurso a um discurso duro sobre imigração e segurança, manter a extrema-direita em baixa. Resultado quase perfeito.
Daniel Cohn-Bendit
Uma estrondosa vitória
Exibindo a sua dupla origem francesa e alemã, o mais célebre líder do Maio de 68 e um dos fundadores dos Verdes alemães, viu a sua lista "Europe-Ecologie" averbar uma estrondosa vitória nas eleições europeias em França. Com mais de 16 por cento dos votos, "empatou" com o Partido Socialista francês e deixou o MoDem de François Bayrou a uma enorme distância. Foi também a vitória de um líder que fez uma verdadeira campanha europeia.
Gordon Brown
Resistir será quase impossível
Os resultados das europeias podem ser a derrota a que Brown já não conseguirá sobreviver. Ontem, apontavam para o risco de um desonroso quarto lugar. Atrás dos conservadores de Cameron, dos eurofóbicos do UKIP e dos liberais-democratas. Suprema humilhação: o BNP, de extrema-direita, conseguiu eleger um deputado europeu. Nas eleições locais de quinta-feira passada, o Labour tinha averbado o pior resultado desde a II Guerra. Será quase impossível resistir.


