Três partidos têm motivos para celebrar o resultado das europeias: PSD, BE e CDS-PP. O PCP teve um saldo misto. O PS é o grande derrotado
PSD
Uma vitória em todas as frentes
Foi Ferreira Leite que escolheu um candidato, mesmo contra a vontade quatro vice-presidentes, que se revelou um sucesso. Ganhou. Não que o resultado seja um estrondo, mas neste caso um só voto de diferença servia para gritar vitória. Com este resultado renasce um PSD que ainda há pouco andava pelas ruas da amargura e ganha muito peso a líder, que muitos, até dentro do partido, davam como polticamente morta após estas eleições. A oposição interna vai ter que hibernar por muito tempo.
BE
A terceira força política
Para um partido que aproveitou estas eleições para dizer que está preparado para ser uma alternativa de Governo este resultado permite ao BE e a Francisco Louça continuar a sonhar. É o melhor resultado de sempre nos 10 anos do partido, que passa, por agora, a ser a terceira força política, mais do que duplicando o seu resultado em relação às últimas europeias. E alcançou um objectivo que mesmo dentro do BE era dado como muito difícil: eleger o terceiro deputado para o parlamento Europeu.
CDS-PP
Vencedor contra as sondagens
Lutou toda contra sondagens que puxavam o CDS-PP para baixo e acaba vencedor. Depois de uma coligação há quatro anos com o PSD, Portas consegue agora os mesmo dois deputados sozinho. Sobe em relação às últimas legislativas, o que lhe dá ânimo para as próximas. Portas empenhou-se a fundo nesta disputa, mas Nuno Melo também tem uma importante quota numa vitória que permite ao CDS continuar a sonhar que ainda tem peso para ser chamado como parceiro para um eventual Governo de coligação.
PCP
Resultado salva a noite
Passar de terceira para quarta força política é um fardo pesado para o PCP e que deve levar os seus dirigentes a pensar. A noite foi salva por um resultado em que o PCP volta a subir e mantém o número de deputados. Manteve o voto fiel, mas foi prejudicado pela repartição do voto de protesto que beneficiou toda a oposição. O PCP de Jerónimo de Sousa continua assim poder ter noites eleitorais com vitórias reais e é um dos partidos que pode sonhar com nova subida nas legislativas.
PS
Com a derrota escrita no rosto
A cara com que Sócrates se apresentou na hora de assumir a derrota dizia tudo. O rosto tenso e as palavras a saírem a custo eram o sinal que o líder do PS sabia que esta foi uma das mais pesadas derrotas de sempre do partido e que o principal responsável é ele. Foi Sócrates que escolheu um candidato frágil e que permitiu uma estratégia arriscada (caso BPN). E de nada serviu o seu forte empenhamento na campanha. E nada vale tentar descolar esta derrota das legislativas que estão a chegar. Ela pesa, e muito, no futuro.


