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Assunção Esteves diz que deputados não são funcionários públicos

“Vamos trabalhar agora, já são horas”, diz Passos à saída do Parlamento

06.01.2012 - 15:17 Por Maria José Oliveira

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Presidente da Assembleia da República vê comentário de Passos como uma apelo à mobilização Presidente da Assembleia da República vê comentário de Passos como uma apelo à mobilização (Gonçalo Português/arquivo)
Nos Passos Perdidos, Passos não respondeu às perguntas dos jornalistas. Mas desabafou que já eram “horas” de ir “trabalhar”. Assunção Esteves diz que deputados não são funcionários públicos.

A afirmação não escapou à maioria dos jornalistas que estavam nos Passos Perdidos. Pouco depois, a Presidente da Assembleia da República (AR), Assunção Esteves, após uma actuação de um grupo folclórico no salão nobre, para celebrar as janeiras, afirmou: “Parece-me que o trabalho dos deputados nem sempre é reconhecido.”

Porém, quando confrontada com a afirmação do primeiro-ministro, Assunção Esteves disse interpretar as palavras de Passos como um apelo à “mobilização para o trabalho neste tempo de crise”. “Não vejo aí mal nenhum”, notou, explicando que a “exponenciação pública” do trabalho da classe política “dá uma carga intensa e quase dramática” às palavras dos políticos.

Aos jornalistas, a Presidente da AR quis ainda justificar o interregno de uma semana dos trabalhos parlamentares, após o Natal, pelo facto de os deputados terem tido apenas uma semana de férias no Verão passado: “Admito que houve um défice de explicações por parte da Presidente do Parlamento sobre o interregno e talvez não tenha explicado bem que há várias facetas na actividade dos deputados.”

Assunção Esteves salientou ainda que o trabalho dos deputados “não pode ser lido como se fosse a actividade de um funcionário público”. “Não pode ser comparado. Os deputados não têm horas certas, nem lugar certo de actuação”, afirmou, referindo-se ao trabalho dos parlamentares nos seus círculos eleitorais.

Considerando que o país vive “um tempo difícil”, Assunção Esteves notou ainda que os políticos têm vindo a ser “crescentemente descredibilizados, muitas vezes por culpa dos próprios políticos e também pelos media, que abordam os acontecimentos”. “Temos de ver o papel dos políticos de uma forma desdramatizante, na sua nudez, sem demagogia por parte dos políticos”, afirmou.


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