• Restaurantes de topo com menus a 20 euros
  • Petiscos com frango, das moelas à batata doce
  • O melhor e o pior da passadeira vermelha

Entrevista a Carvalho da Silva

Valter Lemos no Emprego é um sinal "absolutamente desastroso" do Governo

31.10.2009 - 08:34 Por Nuno Pacheco

  • Votar 
  •  | 
  •  7 votos 
Carvalho da Silva considera que a escolha de Valter Lemos é uma autêntica "provocação" ao comum dos trabalhadores Carvalho da Silva considera que a escolha de Valter Lemos é uma autêntica "provocação" ao comum dos trabalhadores (Carlos Lopes)
Desde 1986 à frente da CGTP, na qual foi eleito secretário-geral em 1999, Manuel Carvalho da Silva não alimenta grandes expectativas face ao novo Governo de José Sócrates.

Contrapõe a palavra mobilização à palavra confrontação, isto como resposta aos problemas sociais e à gravidade da crise, acha uma armadilha perigosa o facto de se dizer que há em Portugal uma ministra do Trabalho sindicalista e considera a entrega da Secretaria de Estado do Emprego a Valter Lemos como "um sinal absolutamente desastroso" e até "uma autêntica provocação" ao comum dos trabalhadores.

Em entrevista ao programa Diga Lá, Excelência do PÚBLICO, Rádio Renascença e RTP-2, gravada em vésperas de completar 61 anos (a 2 de Novembro) é evasivo em relação ao seu futuro à frente na central mas afirmativo no caso do apoio a António Costa. "Fui eu que tomei a iniciativa", garante.

Temos um novo Governo, temos caras novas, mas o núcleo duro mantém-se. Acha que esta é a estratégia ideal para José Sócrates manter o Governo coeso, controlando os independentes, e assim ter mais estabilidade para este Governo minoritário?

Essa é uma pergunta que tem que ser feita ao primeiro-ministro...

Mas como é que o líder da CGTP vê este cenário?

O que vemos é um núcleo central que continua, uma afirmação persistente do primeiro-ministro de que vai continuar o fundamental das políticas que vinha seguindo e, portanto, não dá grandes sinais de mudanças. E é preciso mudanças, quer de conteúdos quer de práticas. Já o conceito de independentes é outra questão...

O que quer dizer com isso?

Costumo dizer que há pessoas rotuladas de independentes que têm grande valor. Mas se analisarmos os independentes que entram neste Governo, são pessoas de muita proximidade. Nesse aspecto, o Governo anterior até se anunciou com independentes mais independentes do que estes. Mas o principal é ver o programa que vem aí e a resposta que terá para questões fundamentais, a primeira das quais é o emprego. Que não pode continuar a ser discutido meramente do ponto de vista quantitativo, mas também qualitativo e com o objectivo de garantir a efectivação do direito ao trabalho. Os vínculos de trabalho, as apostas na formação, o valor da retribuição do trabalho, são fundamentais. Não há garantia de emprego para o futuro se continuar a proliferar a precariedade, que é uma das causa mais violentas da destruição do emprego. A outra é a destruição do aparelho produtivo, o facilitismo com que se tem deixado encerrar empresas, muitas vezes em nome de uma falsa modernização.

Há duas semanas, neste mesmo programa, o presidente da CIP, Francisco Van Zeller, admitiu que viria aí um tempo de confrontações. A CGTP é da mesma opinião?

Seria bom que nos mobilizássemos todos mais, portugueses e portuguesas, no sentido de uma maior participação social e cívica. A sociedade portuguesa tem que ser mobilizada para a resposta aos problemas, as soluções não vêm por nenhum toque de varinha de condão. Se houver essa mobilização não chegamos a situações de grande conflitualidade. A manifestação das vontades, a mobilização das pessoas, não é em si um conflito. É preciso é haver respostas.

A nomeação de Helena André para ministra do Trabalho foi uma surpresa para muita gente, incluindo para a CGTP e para muita gente. O que acha que levou Sócrates a ir buscá-la a Bruxelas, onde estava a fazer planos para daqui a um ano ser secretária-geral da CES e liderar 60 milhões de trabalhadores europeus?

Estatísticas

  • 12 leitores
  • 107 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1407669

Comentário + votado

Título

Acho que se devia nomear o snr. Carvalho da Silva Presidente da Quimonda para lhe dar a ...

00SEVEN

31.10.2009 10:39

X

Mais em Política (3 de 11 artigos)

Entre os convidados que assistiram à cerimónia estiveram os ex-ministros do anterior Governo Mário Lino e José Pinto Ribeiro XVIII Governo: 37 secretários de Estado tomaram hoje posse