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Ficou à frente num total de 840 decisões tomadas

Última avaliação ambiental do Freeport de Alcochete foi a mais rápida de que se tem registo desde 1995

29.01.2009 - 09:03 Por Ricardo Garcia

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O empreendimento passou por três estudos de impacte ambiental O empreendimento passou por três estudos de impacte ambiental (Pedro Cunha)
O último processo de avaliação ambiental do Freeport, que culminou com a sua aprovação, foi o mais rápido entre todos os que estão correctamente registados na base de dados da Agência Portuguesa do Ambiente desde 1995. De um conjunto de 919 decisões favoráveis tomadas, 79 contêm erros no registo das datas que não permitem uma análise correcta. Das 840 restantes, nenhuma foi mais rápida do que a do Freeport, que foi aprovado em 55 dias corridos.

O empreendimento passou por três estudos de impacte ambiental. O primeiro, em 2000, foi devolvido, por não conter tudo o que a lei exigia. O segundo foi chumbado no final de 2001, depois de seis meses de análise. O último foi avaliado e aprovado em menos de dois meses, em 14 de Março de 2002, três dias antes das eleições que retirariam o PS do Governo.

A avaliação mais rápida, depois da do Freeport, foi a de um parque eólico no Sabugal (65 dias). Apenas seis avaliações de impacte ambiental foram resolvidas em menos de 90 dias, segundo os dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

"Não é absurdo"

A maior parte das avaliações positivas nos últimos 14 anos foi concluída num prazo entre cinco e nove meses. Em média, as decisões favoráveis foram tomadas em 228 dias, ou seja, cerca de sete meses (ver infografia).

O director-geral da APA, António Gonçalves Henriques, não considera estranho o prazo do Freeport, dado tratar-se de uma terceira avaliação. Gonçalves Henriques explica que, normalmente, quando um projecto é chumbado e depois reapresentado ao Ministério do Ambiente, nomeia-se a mesma comissão de avaliação, que já conhece todo o processo.

Para Gonçalves Henriques, o prazo de 55 dias "não é absurdo para um caso desses", em que já estavam identificados os problemas a ser resolvidos. Segundo o director da APA, hoje os projectos de potencial interesse nacional (PIN), mesmo quando são apresentados pela primeira vez, têm legalmente de ser avaliados em prazos máximos de 60 a 80 dias úteis.

A necessidade de um rápido andamento da avaliação do Freeport, no entanto, está expressa em documentos do seu processo administrativo. Os membros da comissão de avaliação começaram a trabalhar antes de serem formalmente nomeados e chegaram a ser fixados prazos de horas para comentários sobre o parecer final que seria submetido à tutela.

Num documento, uma técnica deixa claro que havia uma data pré-determinada para o envio do parecer final à Secretaria de Estado do Ambiente: 14 de Março. Seis dias antes, a 8 de Março ainda faltavam pareceres essenciais para o processo, como o do ordenamento do território.

Rui Gonçalves, ex-secretário de Estado do Ambiente, que na altura assinou a aprovação do Freeport, nega que tenha havido pressa naquele projecto e reitera a ideia de que a avaliação era simples. "O que tinha de se verificar era se as condições da declaração de impacte ambiental anterior [que chumbara o projecto] tinham sido cumpridas ou não", afirma.

Vontade política

O ex-secretário de Estado afirma, porém, que o Governo como um todo, e não apenas o Ministério do Ambiente, estava empenhado em terminar os trabalhos que pudessem ser concluídos no âmbito de um executivo de gestão. A transição entre a demissão de António Guterres, depois das autárquicas de Dezembro de 2001, até às eleições de 17 de Março e à posse do novo executivo era longa e não se pretendia que tudo ficasse parado. "Havia uma vontade política para se tentar resolver os dossiers que estavam em cima da mesa e que podiam ser resolvidos", afirma. Rui Gonçalves cita o exemplo do Programa Nacional para as Alterações Climáticas, que foi lançado para discussão pública nessa altura. O único processo que o ex-secretário de Estado do Ambiente se recorda de não ter conseguido tratar no período de gestão foi a alteração do imposto automóvel, com a introdução de valias ambientais.

O PÚBLICO tentou ouvir, ontem, Jorge Moreira da Silva, que também foi secretário de Estado do Ambiente num período de gestão - depois do afastamento do primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, em 2005. Mas o ex-governante não quis fazer comentários, pela posição que ocupa hoje como assessor da Presidência da República.

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compreendo

também era um projecto fundamental para o desenvolvimento do país e não havia outro local para ...

amag

16.03.2010 12:33

X

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