TVI no centro das conversas entre Vara e Joaquim Oliveira

12.02.2010 - 13:38 Por José Augusto Moreira
As conversas escutadas entre Armando Vara e o patrão da Controlinveste, Joaquim Oliveira, concentravam-se sobretudo na evolução do negócio de venda da participação (30 por cento) que os espanhóis da Prisa detêm na Media Capital, dona a TVI.
Depois de ter abortado o negócio e de José Eduardo Moniz ter negociado a saída da TVI e se ter juntado a Nuno Vasconcelos na Ongoing, Oliveira espicaça o vice-presidente do BCP dizendo-lhe que Vasconcelos “tem sido a vedeta em toda a imprensa”.
O telefonema ocorreu a 4 de Agosto último e referia-se às noticias de que a Ongoing pretendia reforçar a sua posição no grupo Impresa (SIC/"Expresso"/"Visão"), dominado por Francisco Balsemão. O ex-ministro socialista responde que pretende é avançar para a TVI e se trata apenas de “poder acusar Balsemão de não ter querido vender, o que o obrigou a ir para outras áreas”.
No dia seguinte comentam o facto da mulher de Moniz se manter na estação de Queluz. “Quem a armou que desarme”, disse Vara, respondendo Oliveira que “isto não tem grande solução”. Dias depois voltam a conversar para comentar as condições em que Moniz terá negociado a saída da Media Capital e a protecção que Manuela Moura Guedes goza no seio da redacção da TVI. “Está espaldada numa trupe que domina a informação”, transcreve o "Sol".
Numa outra gravação do início de Setembro, a conversa centra-se nas notícias que relatam alegadas movimentações do PS para afastar Moura Guedes do Jornal Nacional das sextas, e também de supostas conversas entre José Sócrates, o primeiro-ministro espanhol e o presidente da Prisa, José Luís Cébrian para negociar a venda da TVI.
“Acabei de saber que o teu jornal manda a tese de que foi uma cabala do PS”, diz Vara, questionando depois “quem é que na redacção trata desses assuntos”. “Só falo com o Marcelino”, disse então Oliveira sendo que alguns dias depois o informou que haveria alguns “jornalistas mais novos” a procurar esclarecer o assunto e que terá dito a Marcelino “para terem atenção a essa brincadeira”. Segundo relata o "Sol", o patrão da Controlinveste terá também ligado ao director do "Jornal de Notícias" recomendando “cuidado com as peguntas que anda a fazer”.

