"Toda a gente achava que era inconstitucional", mas o PS cortou salários, diz líder do PSD

18.05.2011 - 18:15 Por Lusa
O presidente do PSD acusou hoje o Governo do PS de ter imposto sacrifícios de forma inédita, sem dar o exemplo, chegando ao ponto de cortar salários na função pública, o que "toda a gente achava" inconstitucional.
Durante um almoço de campanha no concelho de Castro Marim, no Algarve, Pedro Passos Coelho declarou que Portugal precisa de "ter um Governo que saiba dar o exemplo" para ter "a autoridade moral para exigir a todos os outros que façam melhor com menos".
"Pena que, em Portugal, o Governo tivesse subido os impostos como nenhum outro subiu, tivesse obrigado os portugueses a sacrifícios como nunca nenhum outro Governo impôs aos portugueses", considerou.
"Foi a primeira vez que se cortaram salários na função pública. Não se congelaram os salários, cortaram-se salários na função pública. Toda a gente achava que era inconstitucional e o PS, que sempre que toca a discutir a revisão da Constituição vê problemas em todo o lado, não viu problema nenhum em cortar os salários na Administração Pública", apontou Passos Coelho.
Segundo o presidente do PSD, "enquanto os portugueses e os funcionários públicos fizeram esses sacrifícios", o Governo nada fez e "perdeu uma grande oportunidade de mostrar aos portugueses que, quando temos dificuldades, os líderes têm de dar o exemplo".
"O que é que fez o Governo? Alguma remodelação para poder ter menos ministros? Menos secretários de Estado, talvez? Menos adjuntos e assessores, menos carros do Estado a transportar toda a gente que trabalha nestes gabinetes?", questionou Passos Coelho, acrescentando: "O que nós tivemos neste Governo foi um mau exemplo".
O presidente do PSD sustentou que os socialistas "estão descredibilizados pela prática" destes últimos anos e de nada lhes serve "agora vir dizer que vão fazer tudo, que não governavam com o FMI, mas governam, que não poupavam, mas agora vão poupar, que vão cumprir tudo".
Pela sua parte, Passos Coelho prometeu transferir para o Estado "uma parte da austeridade que os portugueses têm vindo a fazer", cortando "as gorduras do Estado, tudo aquilo que é redundante".
"Temos, também, de fazer mais com menos, em todo o lado, na saúde, na educação, na segurança social, mas tendo uma preocupação clara: todos aqueles que estão mais vulneráveis, todos aqueles que têm rendimentos mais baixos, esses não podem ficar para trás nem ser pisados pela crise", completou.

