O primeiro-ministro timorense afirma que a situação em Díli e arredores "está controlada", mas admite que a população continua receosa de novos confrontos. Alkatiri garantiu que os responsáveis pelos ataques de hoje "vão ser apanhados".
"Neste momento a situação está controlada, mesmo na capital. No resto do território não tem havido nada, nos arredores de Díli ontem e hoje houve alguns confrontos mas posso garantir que a situação está sob controlo", afirmou o chefe do Governo.
"Aqueles que começaram com a violência vão ser apanhados. Com os que ainda não usaram a violência, vamos manter o clima de diálogo", acrescentado.
Numa conversa telefónica, Mari Alkatiri escusou-se a precisar o número de rebeldes e militares envolvidos nos confrontos de hoje, explicando que no ataque ao quartel-general das Forças de Defesa (F-FDTL), em Tacitolu, terão sido usadas "cerca de dez armas automáticas".
"As pessoas mais activas estão a apoiar o Estado e o Governo. Mas a população em geral vive ainda um clima de medo e de pânico, o que é mais difícil de se gerir", explicou.
"Essa é a razão fundamental porque achamos que a presença de uma força internacional pode devolver estabilidade e confiança à população", sublinhou.
O Governo timorense enviou um pedido formal a Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia para que enviem contingentes policiais e militares para apoiar as forças timorenses no reforço da segurança no país. "Ainda há detalhes e acertos mas estamos à espera que em breve cheguem os grupos avançados", disse, lembrando que Camberra já anunciou que poderá enviar os primeiros militares num período de 48 horas.
Mari Alkatiri negou, por outro lado, dificuldades de relacionamento com o Presidente da República, admitindo apenas que houve divergências sobre a estratégia a adoptar para repor a segurança.
"Nunca tive dúvidas em relação à solidariedade institucional. A questão que se colocava era de que havia mais confiança do Presidente da República e do ministro dos Negócios Estrangeiros na via do diálogo, do que eu tinha, porque considerava que as pessoas só queriam ganhar tempo", disse Alkatiri.
"Eu também prefiro a vida do diálogo, não sou defensor da guerra e dei um tempo para que os que tinham mais fé no diálogo pudessem usar as influências e ajudar a encontrar uma solução", explicou o primeiro-ministro
O governante disse que a situação se alterou radicalmente com a decisão "do senhor Reinado de enveredar pelo caminho da violência". "Ele decidiu enveredar pela violência e outros decidiram acompanhá-lo e agora terão que se responsabilizar pela via que escolheram", afirmou.
O chefe do Governo disse ainda que, apesar de "pequenos problemas" associados ao facto de ambas as estruturas serem "jovens", todos os elementos das F-FDTL e da PNTL (Polícia Nacional de Timor-Leste) continuam "leais às suas hierarquias e ao Estado".


