Uma companhia da Guarda Nacional Republicana, com cerca de 120 homens, está pronta para actuar em Timor-Leste no prazo de 30 dias, faltando apenas a decisão política para concretizar a missão, anunciou o comandante-geral, Mourato Nunes.
A GNR está preparada "para qualquer teatro de operações", afirmou Mourato Nunes, em declarações à TSF, apesar de sublinhar que esta é "uma decisão do foro político e que passa, neste caso concreto, dado que as Nações Unidas ainda estão em Timor, por um processo de negociação entre o Governo timorense, a ONU e o Governo português".
Já esta manhã, o tenente-coronel Costa Cabral, porta-voz da GNR, explicou que a Companhia de Intervenção Especial, constituída por 120 homens, "poderá actuar em Timor-Leste dentro de um mês se assim for decidido pelo poder político".
Esta companhia integra a Força de Gendarmerie Europeia (Eurogendfor), criada em 2004, e que integra 800 elementos de forças de segurança de natureza militar de Portugal, Espanha, França, Itália e Holanda.
Segundo o tenente-coronel Costa Cabral, a actuação desta força é virada prioritariamente para o espaço europeu, mas pode intervir no âmbito das Nações Unidas, com o consentimento dos cinco países que a compõem.
Nas declarações que proferiu ontem, Mourato Nunes sublinhou que, face a outras polícias internacionais, a GNR está em melhores condições para actuar em Timor. "Portugal tem a vantagem do conhecimento da língua e do conhecimento local, sobretudo da imagem que deixou aquando das intervenções em Timor", afirmou.
As declarações de Mourato Nunes surgem depois de o primeiro-ministro, José Sócrates, se ter reunido com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, na semana passada, tendo ambos concordado que a questão de Timor-Leste deve continuar a ser tratada no âmbito das Nações Unidas, incluindo o reforço da presença portuguesa em Díli.
Na sexta-feira passada, o Conselho de Segurança aprovou o prolongamento da actual missão da ONU em Timor, que expirava amanhã, pelo prazo de um mês. Durante esse período, as Nações Unidas vão avaliar a actual situação no terreno e decidir sobre a necessidade do envio de uma força para o país.
Durante as audições preliminares, o ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, José Ramos Horta, apelou ao envio urgente de uma força internacional, a fim de auxiliar as autoridades a garantir a estabilidade no país até à realização das eleições legislativas, previstas para o próximo ano.
No último mês, o país viveu num clima de tensão, depois dos incidentes em Díli, protagonizados por militares contestatários que alegam discriminação por parte da hierarquia das forças armadas.
Os incidentes de 28 e 29 de Abril saldaram-se em cinco mortos e dezenas de feridos e levaram ao êxodo para as montanhas de cerca de 70 por cento da população da capital, de acordo com as Nações Unidas. Nos últimos dias a população começou a regressar gradualmente à capital.
Segundo o Estado-maior general das Forças Armadas, estão actualmente em Timor-Leste 17 militares a desempenhar funções de assessoria à formação das componentes terrestre e naval das forças de defesa timorenses.


