O deputado do CDS-PP Telmo Correia alertou hoje que os democratas-cristãos poderão estar "perante uma tentativa de cisão".
"Podemos estar perante uma tentativa de cisão, de ruptura", afirmou Telmo Correia.
Para o deputado do CDS-PP (apoiante de Paulo Portas), "o filme fica mais claro" com a notícia divulgada ontem pelo PÚBLICO de que a presidente do Conselho Nacional, Maria José Nogueira Pinto, já tomou a decisão de sair do partido.
"Quero alertar os militantes para que podemos estar confrontados com uma situação de natureza diferente", disse Telmo Correia, adiantando que, até aqui, "quem defende as directas" pensava estar apenas confrontado com uma direcção que de "forma obstinada" tentava manter-se na liderança do partido, mesmo depois de ter perdido o apoio de 3/4 do Conselho Nacional.
Contudo, acrescentou, depois da forma como decorreu a reunião do Conselho Nacional, com a presidente daquele órgão a admitir abandonar o partido, e da notícia do jornal PÚBLICO, "não desmentida", "parece que o filme fica claro".
"Há uma tentativa de causar dano. Quanto pior ficar a casa, melhor. Pode ser isto que está em causa", salientou Telmo Correia.
Questionado sobre se acusa Maria José Nogueira Pinto de estar a liderar este movimento de "cisão", o deputado democrata-cristão não respondeu directamente, lembrando, contudo, que foi a presidente do Conselho Nacional que na noite da reunião daquele órgão "disse que podia sair" e na segunda-feira "falou em cisão".
Por outro lado, acrescentou, também ontem surgiram declarações de Luís Mota Campos, membro da direcção de Ribeiro e Castro, de que "o partido quebrou".
"Sinais claros" de uma cisão
"Temos sinais que pode ser uma cisão", insistiu Telmo Correia, ressalvando, contudo, que não defende "nenhuma cisão, nem a saída de ninguém do partido".
Ainda segundo o deputado do CDS-PP, esta "cisão" poderá estar a ser organizada de forma a que "quem sai, tenta sair na maior confusão e deixando a casa na maior confusão".
"Parece que podemos estar perante um movimento deste tipo", reiterou.
Questionado sobre qual entende ser o papel do líder do partido nesta questão, Telmo Correia disse apenas esperar que Ribeiro e Castro "se demarque".
Antes, contudo, o deputado democrata-cristão, já tinha lembrado que o partido já "teve outras cisões antes" e que, numa delas, no tempo de Adriano Moreira, Ribeiro e Castro esteve envolvido, fazendo "graves acusações" à direcção do CDS-PP da altura.
Perante este cenário, Telmo Correia deixou ainda alguns conselhos aos militantes, recomendando "um particular cuidado para não elevar o tom" e, tal como Paulo Portas tem feito, "não responder".
"Quem fica tem de proteger o partido", sublinhou.
Confusão no Conselho Nacional do fim-de-semana passado
No final do último Conselho Nacional do CDS-PP, realizado no domingo passado, em Óbidos, Nogueira Pinto anunciou a convocação de um congresso, com base no requerimento promovido pela distrital de Leiria que reuniu mais do que as mil assinaturas necessárias à convocação de uma reunião magna, segundo os estatutos.
A reunião terminou num ambiente de confusão, com insultos e ameaças. A decisão de Nogueira Pinto foi contestada por Paulo Portas, que reclamou a vitória das eleições directas imediatas, uma proposta que recolheu os votos de 65 por cento dos conselheiros nacionais, com o ex-líder do CDS a prometer recurso para o Conselho de Jurisdição do partido.
Na segunda-feira, em conferência de imprensa, Nogueira Pinto responsabilizou directamente Paulo Portas pelo clima de "coacção e violência verbal" que diz ter vivido no Conselho Nacional e acusou o deputado Hélder Amaral de a ter agredido fisicamente, o que foi negado pelo parlamentar de Viseu.
Nessa altura, tal como tinha feito na noite de domingo, a vereadora da Câmara Municipal de Lisboa admitiu que poderia abandonar o CDS-PP.


