O ex-ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, apelou hoje à aprovação do próximo Orçamento do Estado, na Assembleia da República, afirmando que não é momento para tirar dividendos políticos.
“O que se espera é que o Orçamento de Estado seja viabilizado. É um momento de responsabilidade para todos nós, para mostrar que o País está empenhado em avançar”, afirmou Teixeira dos Santos.
O ex-governante, agora professor universitário, perante uma audiência repleta da Universidade Sénior de Vila Nova de Cerveira, em que o tema foi precisamente a crise do subprime e da actual dívida soberana.
“É de esperar que o Orçamento de Estado dê cumprimento aos compromissos assumidos [com a troika]”, disse ainda, acrescentando que sempre defendeu o sentido de responsabilidade.
“Não é agora, por estar fora do Governo, que vou dizer o contrário. Continua a ser um momento de muita responsabilidade”, acrescentou.
Sobre a possibilidade de os países em dificuldades abandonarem a Zona Euro, o ex-ministro socialista foi claro em relação a Portugal.
“Ouço muitas vezes comentários [sobre] se não seria melhor sair do euro. Não. Isso seria uma ilusão. No Euro ou fora do Euro, o País tem que se financiar. Alguém tem de emprestar dinheiro a Portugal, esteja fora ou dentro do Euro”, frisou.
Por isso, concluiu: “Estamos bem melhor no Euro, mas agora é a altura de pôr a casa em ordem”.
Teixeira dos Santos admitiu ainda a “dificuldade do momento actual”, mas observou que a crise da divida soberana “não é o fim” do Euro.
“É um momento difícil, mas vai ser também o momento da verdade, em que todos teremos de ter a capacidade de lançar novas soluções para sairmos da crise”, rematou.
No final da sessão, Teixeira dos Santos recusou prestar declarações aos jornalistas, justificando: “Já não sou político. Agora só dou aulas”.


