Silêncio e mais silêncio. PSD e CDS-PP, os dois partidos da coligação governamental que tomou a decisão sobre a compra de submarinos, optaram hoje por uma discrição absoluta sobre as notícias da investigação à compra dos submarinos divulgada pela revista Der Spiegel.
Os sociais-democratas informaram o PÚBLICO que oficialmente “não há comentários a fazer” e o CDS afirmou que, “por enquanto”, nada há a dizer. Mas dirigentes dos dois partidos políticos admitiram o embaraço com as notícias que envolvem o ex-primeiro-ministro Durão Barroso e o antigo ministro da Defesa Paulo Portas, líder do CDS-PP.
Durante a manhã, os partidos desfilaram nos Passos Perdidos para comentar as notícias. O Bloco de Esquerda (BE) foi o primeiro e Heitor Sousa afirmou estar preocupado com as suspeitas de corrupção no caso. Além do mais, o deputado bloquista disse esperar que o Governo colabore para o esclarecimento “o mais célere e transparente possível”. Quanto à suspensão pelo executivo do cônsul honorário na Baviera, suspeito de suborno de 1,6 milhões de euros da Ferrostaal para ajudar na compra dos dois submarinos em 2004, o BE afirmou que “era o mínimo” que podia fazer.
“Não pode estar sob suspeita”
Já o PS, através de Ricardo Rodrigues, concordou com a suspensão do cônsul – “não pode estar sob suspeita” – e afirmou não existirem factos para justificar, por exemplo, uma comissão de inquérito parlamentar.
Cauteloso, o deputado comunista António Filipe lembrou ter sido contrário à compra dos dois submarinos e defendeu ser “extremamente grave” a “existência de casos de corrupção e de subornos”. “É extremamente grave. Trata-se de ilícitos criminais e evidentemente que as autoridades judiciárias são as entidades competentes para proceder a essa averiguação e nós entendemos que essa investigação deve ser feita até ao fim, sem quaisquer intromissões de qualquer espécie por parte do poder político e que deve ser investigado tudo o que tem que ser investigado”, afirmou Filipe aos jornalistas.
A revista Der Spiegel noticiou ontem que o cônsul honorário terá organizado, no Verão de 2002, uma "reunião entre a administração da Ferrostaal e o antigo primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso", actual presidente da Comissão Europeia.


