Uma sondagem da Marktest publicada hoje indica que a maioria dos portugueses é favorável à despenalização do aborto e dá prioridade ao referendo sobre esta questão relativamente à consulta sobre a Constituição europeia.
Os resultados da sondagem elaborada para o "Diário de Notícias" e para a rádio TSF foram anunciados horas depois de o Presidente da República ter comunicado à Assembleia da República que não vai convocar o referendo ao aborto por "não estarem asseguradas as condições mínimas" a uma "participação significativa na consulta".
A favor da despenalização do aborto estão 54 por cento dos inquiridos, com 28,6 por cento a afirmarem que votariam contra, enquanto 16 por cento afirmam não ter opinião ou não querer responder.
O Barómetro Marktest indica ainda que a realização do referendo sobre o aborto é mais importante do que a consulta sobre a Constituição europeia para 46 por cento dos inquiridos. Para 39,3 por cento, o referendo à Constituição europeia deveria ser realizado antes do referendo sobre a despenalização do aborto.
O Presidente da República enviou ontem ao Parlamento uma mensagem a anunciar que não vai convocar o referendo ao aborto, observando, no entanto, que a oportunidade da realização de um novo referendo ao aborto "é hoje partilhada por um conjunto de forças políticas representadas" na Assembleia da República, pelo que a sua decisão não deve ser encarada como uma "rejeição política" da proposta apresentada pelo Parlamento.
O Barómetro Marktest foi realizado entre 19 e 22 de Abril junto de 807 pessoas, sendo a margem de erro de 3,45 por cento.
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