Sócrates vai três vezes à Assembleia da República nos próximos 15 dias

14.06.2009 - 08:34 Por São José Almeida
O líder do PS e primeiro-ministro, José Sócrates, inicia amanhã uma corrida de fundo que terminará nas eleições legislativas e em que dará tudo por tudo para manter o poder levando o partido à vitória nas urnas.
Depois de oito dias de descanso pós-eleitoral e de uma derrota difícil de digerir - o PS perdeu as europeias com 26,58 por cento dos votos, contra 31,7 por cento do PSD -, Sócrates arranca para a próxima maratona eleitoral com 15 dias infernais de actividade político-partidária que o obrigam a enfrentar por três vezes no Parlamento as críticas e os ataques da oposição.
Já amanhã à noite, irá reflectir com a comissão política dos socialistas, em Lisboa, sobre a realidade actual e o quadro político criado pelo resultado das europeias. Mas não são expectáveis nem grandes críticas a José Sócrates nem que o líder do PS anuncie qualquer inflexão de estratégia política. Aliás, no discurso em que assumiu a derrota, no domingo à noite, Sócrates afirmou isso mesmo. E o seu número dois no Governo, Pedro Silva Pereira, frisando que as eleições foram europeias, declarou: "O Governo mantém intacta toda a sua legitimidade para governar, está a aplicar o seu programa e está mandatado democraticamente pelos portugueses."
Sem sobressaltos no Rato
É natural que na reunião marcada para a sede do PS no Rato a direcção socialista venha a reconhecer erros de comunicação com o eleitorado mas, de acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO, José Sócrates não vai fazer alterações substanciais na sua estratégia e projecto de governação. Tanto mais que, de acordo com os dirigentes socialistas contactados pelo PÚBLICO, não faz sentido mudar, a dois ou três meses das legislativas, um caminho seguido durante mais de quatro anos.
O PS irá agora focar-se nas legislativas e preparar a próxima campanha, que deverá estar pronta para ir para a estrada em finais de Agosto. Isto porque se confirma que o PS não quer juntar as legislativas e as autárquicas.
E os socialistas estão apostados em que as legislativas sejam mesmo em Setembro, até porque, confessam alguns dirigentes, o PS sairá penalizado de um excessivo prolongamento deste período pré-eleitoral. Há mesmo quem aponte que a tendência para o aumento do desemprego poderá custar ainda mais votos a José Sócrates se as legislativas demorarem muito.
Por outro lado, não se esperam grandes críticas ao líder movidas pelos dirigentes do PS, para mais num momento em que estão ainda a ser elaboradas as listas eleitorais para as legislativas e as autárquicas.
As principais vozes críticas do PS já se manifestaram. Manuel Alegre declarou que as europeias "indiciam um voto de protesto e uma vontade de mudança". E João Cravinho, contundente, defendeu que "Sócrates sozinho já não chega" e que o líder do PS "tem de estar com mais alguém, vários que dêem a noção de que a política que se vai seguir na próxima legislatura não é a política de um homem só".
Três vezes no Parlamento
As restantes críticas que se fizeram ouvir foram mais suaves. António José Seguro limitou-se a afirmar: "É preciso compreender e ler os resultados com muita humildade. É preciso efectuar uma reflexão serena e tranquila, com cabeça fria, e é preciso que, todos juntos, possamos trabalhar mais e melhor para vencer as eleições do Outono".
Neste arranque para a maratona eleitoral de legislativas e autárquicas, José Sócrates terá mesmo assim vários outros obstáculos antes de entrar de férias e de se lançar no sprint final eleitoral em Setembro.

