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Évora

Sócrates sairá com imagem reforçada depois de esclarecido o caso Freeport, acreditam militantes

04.02.2009 - 23:43 Por Sofia Branco

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O combate à crise, sublinha Sócrates, passa pela estabilização do sistema financeiro, mas também pelo apoio às empresas e às famílias O combate à crise, sublinha Sócrates, passa pela estabilização do sistema financeiro, mas também pelo apoio às empresas e às famílias (António Carrapato/PÚBLICO)
A noite é de aguaceiros frequentes. “Pouco agradável”, lamenta um casal de “militantes e apoiantes” da Portela. Escapam à chuva que molha Évora enquanto perguntam a um agente da polícia: “Onde vai falar o senhor primeiro-ministro?”. José Sócrates começou hoje, aqui no Jardim do Paço, depois das 21h00, a campanha para secretário-geral. Diz que já tinha “saudades de uma campanha”, “de ser tratado por camarada”, mas para quem o ouve nunca deixa de ser chefe de Governo.

Esta é a primeira vez que o actual secretário-geral do Partido Socialista (PS), e que se recandidata a novo mandato no congresso do final do mês, se encontra com militantes do partido depois do caso Freeport, onde figura como suspeito de corrupção pelas autoridades ingleses.

A julgar pelos aplausos e pelas palavras de quem o vem ouvir nesta tenda gigante a lembrar as das festas de casamento, não se sai mal. A imagem de Sócrates "sairá reforçada" depois de esclarecido o caso Freeport acredita Rosa Maria, dando voz à crença de muitos dos militantes que aqui se juntam.

Rosa Maria veio de Vendas Novas para assistir ao "arranque da campanha" e acredita que Sócrates "está inocente". "Quando se esclarecer tudo, vai sair a ganhar. Não há alternativa mais credível", concorda Maria Dolores Piteira, vinda de Bencatel.

Celestino Bexiga acha mais do que afirma, mas lá vai dizendo que acredita em Sócrates e que ele "fez bem em explicar-se" sobre o Freeport. "Aparecem sempre estas coisas em tempo de eleições", atira outro militante sem deixar o nome.

Maria Dolores Piteira, geógrafa, esmiúça as políticas socialistas e diz que "há problemas bem graves" para se preocupar com o Freeport e que "não se pode culpabilizar o Governo por uma crise que é internacional". "Fui a Lisboa, agora venho a Évora, estamos sempre a ouvir coisas novas", diz.
Meia hora depois da hora, ovação de pé, "o engenheiro", "o camarada" estende a mão para cumprimentar alguns entre as cinco centenas de militantes que o aguardam.

"Nunca fui de virar as costas às dificuldades nem nunca fui candidato apenas nos bons momentos." Sócrates responde, "olhos nos olhos", ao apoio dos militantes e apoiantes. "Vou ser candidato porque sinto que esse é o meu dever e responsabilidade", afirma, enumerando as "conquistas" socialistas. "De cada vez que o PS passa pelo governo a sociedade portuguesa fica com políticas sociais mais avançadas", considera.

Casamento homossexual

O combate à crise, sublinha Sócrates, passa pela estabilização do sistema financeiro, mas também pelo apoio às empresas e às famílias. "O dever do Estado não é ficar sentado à espera que a crise passe", defende. Como? "Dinamizando o investimento público", vinca. José Sócrates desafia ainda "todos os líderes políticos" a apresentarem propostas "para resolver os problemas".

Porque "este é o momento para que todos os partidos digam o que se deve fazer", afirma, ironizando: "Nunca vi o pessimismo criar um único posto de trabalho."

Sobre a regionalização, Sócrates promete "convencer outros partidos" a apoiarem a reforma e sobre o acesso ao casamento civil por pessoas do mesmo sexo pediu "tolerância", mas recebe da plateia as palmas mais tímidas da noite.

"Sensibilizado" - assim se autodescreve o secretário-geral socialista com o encontro, apelando directamente à cooperação dos muitos "independentes" presentes. "A moção será discutida não só com os filiados", realçou, insistindo na necessidade de "abrir o partido".

E depois do discurso, Sócrates reúne com militantes e apoiantes, mas já à porta fechada.

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