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Consulta sobre Tratado Constitucional Europeu

Sócrates quer referendo fora de período de crise económica

20.07.2005 - 20:52 Por Lusa

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José Sócrates não quer que os eleitores misturem problemas nacionais com a questão em consulta José Sócrates não quer que os eleitores misturem problemas nacionais com a questão em consulta (André Kosters/Lusa)
O primeiro-ministro defendeu hoje que deverá ser evitada a realização de referendos em matéria de União Europeia em períodos de crise económica, para que os eleitores não misturem problemas nacionais com a questão em consulta.

"Não se devem fazer referendos em altura de crise económica", advogou José Sócrates, numa intervenção num almoço do American Club, que foi sobretudo dedicada ao actual estado da União Europeia.

Tendo a ouvi-lo os associados do American Club e o ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho, o primeiro-ministro sustentou que foram "questões económicas nacionais que estiveram na origem da vitória do 'não', tanto em França, como na Holanda" nos referendos sobre o Tratado Constitucional da União Europeia.

"O problema económico é a raiz de todos os problemas na União Europeia e tem depois reflexos nas dimensões política e institucional da União Europeia. Os desafios colocados pela economia global não têm encontrado resposta à altura da parte da União Europeia", sustentou ainda o primeiro-ministro.

José Sócrates disse que a União Europeia apresenta "um défice democrático", mas também "uma ausência de clareza nos seus objectivos" e "alguma crise de liderança" devido à fraqueza do eixo franco-alemão.

No capítulo europeu, o primeiro-ministro considerou importante "um acordo sobre as perspectivas financeiras 2007/2013 até ao final do ano, durante a presidência do Reino Unido", e defendeu a continuidade "da política de coesão", demarcando-a de "anacronismos como o cheque britânico" (reembolso da contribuição britânica para o orçamento comunitário obtido por Londres em 1984).

Segundo José Sócrates, a política da União Europeia deve centrar-se "na estratégia de Lisboa – investimentos na inovação, conhecimento e tecnologias – e não no proteccionismo".

"A Europa deve integrar-se na economia global sem complexos e com confiança em si própria", sustentou o chefe do Governo.

Em termos de política nacional, o primeiro-ministro defendeu que as prioridades portuguesas "são semelhantes às da União Europeia", designadamente a modernização do Estado social, a valorização dos investimentos na tecnologia, a inovação e conhecimento e uma agenda de confiança.

Para o primeiro-ministro, a Comissão Europeia deu "uma prova de confiança na economia portuguesa ao decidir pela primeira vez que a correcção do défice nacional se fará em três anos, até 2008".

"São estas provas de confiança que são captadas pelas agências de 'rating' que avaliam os riscos da República e de que dependem as taxas de juro. A pior coisa que poderia acontecer à economia portuguesa seria uma subida das taxas de juro", sublinhou o primeiro-ministro.

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