Entrevista ao DN e à TSF

Sócrates quer aumentar salário mínimo e diz que a sua relação com Cavaco está "excelente"

26.10.2008 - 09:31 Por Lusa, PÚBLICO

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Sócrates reconheceu que gostava muito que Elisa Ferreira viesse a disputar a Câmara do Porto nas autárquicas Sócrates reconheceu que gostava muito que Elisa Ferreira viesse a disputar a Câmara do Porto nas autárquicas (Nuno Ferreira Santos/PÚBLICO)
Na segunda parte da entrevista que o primeiro-ministro deu ao “Diário de Notícias” e à TSF José Sócrates adianta que o governo vai propor um aumento de 5,6 por cento para o salário mínimo nacional, que chegará aos 450 euros. O governante fala ainda das relações com Cavaco Silva, afirmando que “há respeito mútuo e diferenças de opinião” entre si e o Presidente da República.

“Vamos subir o salário mínimo mais uma vez para o ano em mais de 5%, e ter uma indexação com base no indexante de apoios sociais, porque é isso que é justo”, indicou o primeiro-ministro.

Acerca da tão falada lei de financiamento dos partidos e sua eventual alteração, Sócrates referiu: “nós somos pela lei que existia antes: financiamento de partidos tem de ser com cheque ou transferência bancária. Nem houve nenhuma intenção. E mais, os juristas que fizeram aquelas leis disseram também, ao defender-se, que aquilo não conduziria a isso. Mas nós não queremos que haja a mínima dúvida, e por isso o ministro das Finanças mandou uma carta para a Assembleia da República pedindo a correcção”.

Relação entre Sócrates e Cavaco está “excelente”

Sobre as relações com o Presidente em torno da polémica questão do Estatuto Estatuto Político-Administrativo dos Açores, o primeiro-ministro disse que as palavras de Cavaco Silva foram tidas em conta pelo PS na elaboração da segunda versão da lei.

Segundo o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, "as alterações que foram feitas no Estatuto dos Açores foram alterações que derivaram da retirada das partes inconstitucionais e também das observações que foram feitas pelo Presidente da República".

Depois da primeira versão do Estatuto dos Açores ter sido vetada por conter inconstitucionalidades, às quais Cavaco Silva acrescentou críticas de natureza político-institucional, a segunda versão do diploma aguarda promulgação ou veto por parte do Presidente da República.

Apesar das discordâncias em relação ao Estatuto dos Açores e ao novo regime jurídico do divórcio, José Sócrates considerou que a relação com o Presidente da República "está excelente". "Nós temos hoje uma relação institucional – e uma relação pessoal, pode dizer-se – muito boa", disse o primeiro-ministro.

"O que eu vejo no Presidente da República, nas atitudes do Presidente da República, é sempre uma vontade de ter uma cooperação institucional sem mácula e uma vontade de contribuir para resolvermos os problemas do país", elogiou José Sócrates.

"O respeito institucional, a relação pessoal entre dois órgãos de soberania não pressupõe que ambos pensemos exactamente o mesmo sobre todos os temas políticos. O que os portugueses esperam de nós, de mim e do senhor Presidente da República, é que tenhamos uma cooperação política que responda aos problemas do país", defendeu.

Segundo José Sócrates, ambos procuram responder aos problemas do país e haver pontos de vista diferentes "só acrescenta ao respeito mútuo".

Sócrates diz que não fará "chantagem" com exigência de maioria absoluta

José Sócrates declarou ainda que não fará "chantagem" exigindo aos portugueses uma maioria absoluta quando se recandidatar ao cargo de primeiro-ministro, apesar de considerar "muito difícil" governar com maioria relativa.

Recordado pelos entrevistadores de que "Cavaco Silva, em 1991, mais do que pedir, exigiu uma maioria absoluta para governar", José Sócrates declarou: "Eu nunca exigirei nada a ninguém". "Não quero pronunciar-me sobre cenários, mas eu não faço chantagem com a vontade dos portugueses. Nunca fiz nem farei", acrescentou.

Apesar disso, José Sócrates considerou que "o país precisa de um Governo que tenha a capacidade para conduzir as mudanças e as reformas e que seja capaz de conduzir uma política que sobreponha o interesse geral ao interesse das corporações" e que sem maioria absoluta "isso é difícil".

"Estive num Governo [de António Guterres] sem maioria e as negociações permanentes que têm de se fazer diminuem a capacidade do Governo para fazer reformas", referiu.

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rsrsrsrsrsrssrsrs

eb

01.11.2008 16:46

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