Sócrates: PS "não troca" apoio ao orçamento pela adesão à revisão constitucional do PSD

21.08.2010 - 21:28 Por Lusa
O primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu hoje, durante um discurso em Mangualde, que o Governo não vai trocar o apoio ao Orçamento do Estado para 2011 pela adesão às propostas de revisão constitucional do PSD.
"Se há para aí alguém no PSD que pensou que podia fazer uma negociação com o Partido Socialista trocando a revisão constitucional por qualquer apoio para um qualquer Orçamento do Estado, desengane-se, porque nós não trocamos o Serviço Nacional de Saúde, nem o sistema público de educação, nem a liberalização dos despedimentos por nenhum apoio, por mais importante que ele seja", disse o secretário-geral do PS, num comício em que paritcipou a convite da federação distrital de Viseu.
No discurso, José Sócrates elencou algumas das prioridades governativas, a começar pela "recuperação da economia e do desemprego" e apresentou quatro críticas ao projecto de revisão constitucional do PSD.
“É tão extremista do ponto de vista ideológico que merece ser discutido e o PSD não vai fugir a esse debate”, destacou José Sócrates durante a intervenção em que dedicou um quarto de hora a criticar pontos específicos da proposta.
Para o secretário-geral do PS, “as ameaças de crise” dos social-democratas têm como objectivo fazer esquecer o projecto".
Classificou-o como “convicções que não resistiram a três semanas de debate político e à primeira sondagem”, acusando o PSD de, assim, “perder credibilidade”.
Ao criticar a proposta de revisão constitucional, Sócrates conquistou a maior ovação da noite quando acusou o PSD de querer acabar com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) para todos.
“É extraordinário que o presidente dos Estados Unidos da América faz uma reforma para criar um serviço nacional de saúde, haja aqui uma força política com uma proposta do passado”, destacou.
Considerou que o PSD quer um serviço “apenas para os mais desfavorecidos em que os outros recorrem a serviços mais sofisticados no sector privado da saúde”.
A alteração à referência ao SNS na Constituição foi um dos quatro pontos em que criticou a proposta do PSD.
José Sócrates acusou o maior partido da oposição de permitir “despedir de forma injusta, desde que haja uma razão atendível”.
Criticou ainda o PSD por “querer acabar com a escola pública” e com a igualdade de oportunidades que promove, assim como de propor o fim da progressão dos impostos e provocarem injustiças.
“A proposta pretende eliminar o artigo 104 da nossa Constituição, que prevê que os que mais ganhem paguem mais impostos e os que menos ganham paguem menos. É assim que se constrói a justiça fiscal”, realçou.
Num discurso a dois tempos, as críticas à revisão constitucional ocuparam a segunda parte de um discurso que abriu com imagens de Sócrates em ecrã gigante ao som de “You got it” de Roy Orbison.
A letra da música repetia uma ideia, “qualquer coisa que queiras, tu consegues”, e o primeiro-ministro destacou que o país já conseguiu recuperação económica no primeiro semestre e estancar os números do desemprego.
Sócrates puxou por mais que uma vez dos mais recentes indicadores económicos para dar “uma palavra de confiança a Portugal” e garantiu que o controle das contas públicas e a modernização do país são as prioridades do Governo.
A aposta na educação e ciência, nas novas tecnologias, nas energias renováveis e na saúde foram as três áreas destacadas no âmbito da modernização, ilustrada com diversos números.
Entre eles, Sócrates destacou que no novo ano lectivo vão abrir 100 novas escolas, que estão em construção seis novas barragens e seis novos hospitais.
Notícia actualizada às 22h43

