O líder socialista, José Sócrates, definiu ontem o PS como um partido sem problemas de identidade, assumindo-se como "popular", da "esquerda democrática" e "moderada"- afirmação interpretada como alusão à eventual criação de uma nova força de esquerda.
As palavras de José Sócrates foram proferidas no jantar de Natal do Grupo Parlamentar do PS, do qual o ex-candidato presidencial Manuel Alegre esteve ausente alegando motivos de doença. Na mesa principal, além de Sócrates e do líder parlamentar do PS, Alberto Martins, sentaram-se o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, entre outros dirigentes socialistas.
"Os portugueses sabem bem quem nós somos. Somos o grande partido popular da esquerda democrática e da esquerda moderada em Portugal", declarou José Sócrates, motivando uma prolongada salva de palmas dos deputados socialistas.
Sócrates decidiu, logo a seguir, insistir nesta ideia. "É isso mesmo. Vou dizer mais uma vez. Este partido é a esquerda democrática e moderada em Portugal, e é um grande partido popular", repetiu, numa clara demarcação do eventual projecto de união entre as forças de Manuel Alegre e do Bloco de Esquerda.
Durante a tarde, no Parlamento, o primeiro-ministro tinha recusado fazer comentários sobre o "Fórum das Esquerdas", mas prometera pronunciar-se sobre a iniciativa.
Ontem, o deputado socialista Manuel Alegre voltou a defender a possibilidade de candidaturas independentes às eleições legislativas, considerando que a democracia sairia "enriquecida". Questionado se continua a defender a hipótese de independentes concorrerem às eleições legislativas, Manuel Alegre recordou que sempre concordou com essa ideia.
"Sempre o tenho defendido", afirmou, em declarações aos jornalistas no final da apresentação do seu livro Escrito no Mar - Livro dos Açores, numa livraria de Lisboa.
Interrogado se avançaria como independente, caso a alteração à lei fosse em frente, o deputado respondeu apenas: "Fui sempre independente."


