José Sócrates a dar explicações sobre “insinuações” e “especulações” por causa das escutas do processo Face Oculta? Nem pensar. É o que diz o líder parlamentar do PS, Francisco Assis.
“Nenhum primeiro ministro de nenhum país democrático aceitaria uma situação desta natureza: dar explicações sobre esse tipo de conversas”, afirmou Assis na conferência de imprensa no Parlamento em que respondeu às críticas do eurodeputado do PSD Paulo Rangel a propósirto de um alegado plano em que participaria o primeiro-ministro para controlar os media, nomeadamente a TVI.
Mas há mais. Se Sócrates viesse a público falar sobre o assunto estaria ele próprio “a pactuar com um crime de violação do segredo de justiça e com um crime de divulgação de escutas”.
No encontro com os jornalistas, o líder parlamentar do PS anunciou ainda que os socialistas vão propôr a audição, na comissão da Ética, de várias personalidades para avaliar como é exercida a liberdade de expressão em Portugal. E que seja feita uma reflexão sobre as relações dos poderes económico e político nos media ou ainda se a legislação defende ou não a independência dos jornalistas.
Francisco Assis é, depois dos ministros Jorge Lacão e Augusto Santos e do deputado Ricardo Rodrigues, o quinto dirigente do PS a falar sobre a questão das escutas, divulgadas sexta-feira pelo “Sol”. Ontem, o deputado Vera Jardim e a eurodeputada Ana Gomes defenderam um rápido esclarecimento das alegações sobre a compra da TVI. Assis preferiu não comentar.


