Ameaça de dissolução

Sócrates lança contra-ataque a Passos Coelho por causa do discurso da crise política

20.08.2010 - 08:28 Por Sofia Rodrigues

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José Sócrates José Sócrates (Foto: Daniel Rocha/arquivo)
Ideia de "irresponsabilidade" do líder do PSD será a tónica da intervenção do primeiro-ministro no comício de amanhã em Mangualde.

José Sócrates, enquanto secretário-geral do PS, prepara-se para lançar um contra-ataque ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, amanhã à noite, num comício de reabertura do ano político, em Mangualde. Em resposta ao ultimato de Passos Coelho lançado no sábado passado na festa do Pontal, o primeiro-ministro vai denunciar a "irresponsabilidade" do lançamento do discurso de crise política.

Este vai ser o mote da intervenção de José Sócrates no comício de arranque do ano político da Federação Distrital de Viseu, segundo fonte socialista. Esta iniciativa, em que irá também falar José Junqueiro, presidente da distrital, e o presidente da Câmara Municipal de Mangualde, João Azevedo, será o palco para o primeiro-ministro ensaiar um contra-ataque ao PSD, mas não é a rentreé do partido. Essa está marcada só para dia 4 de Setembro, em Matosinhos.

A ideia de "irresponsabilidade política" tem dominado as reacções socialistas ao discurso de Passos Coelho do fim-de-semana passado. Na intervenção de amanhã, o primeiro-ministro vai também reafirmar as linhas políticas de governação.

É a resposta de Sócrates ao fantasma de uma crise política lançado há quase uma semana pelo líder do PSD quando, no final do seu discurso, desafiou Cavaco Silva a "devolver a palavra aos portugueses" se o Governo continuasse a fazer de conta que está "em gestão". Na mesma intervenção, Passos Coelho também deixou um aviso quanto ao próximo Orçamento do Estado: o PSD não aprovará a lei se a proposta do Governo não impuser travão na despesa e se implicar um aumento de impostos.

Dias depois das críticas socialistas a este discurso de antecipação de condições à aprovação do Orçamento do Estado, uma outra voz do PSD, Pedro Santana Lopes, veio apelar ao Presidente da República para "promover um Governo de coligação com apoio maioritário", embora reconheça que Cavaco Silva não deverá dissolver o Parlamento até dia 9 de Setembro, a data possível que corresponde ao prazo máximo permitido por lei antes de eleições presidenciais. No entanto, o antigo primeiro-ministro social-democrata lembrou que se o Orçamento do Estado for chumbado estará criado "um cenário dantesco para o país".

A ideia de um Governo de coligação - mas com PS, PSD e CDS - já tinha sido deixada pelo líder dos centristas Paulo Portas, no debate do Estado da Nação, no Parlamento, pedindo ao primeiro-ministro para que abandonasse o cargo.

O aviso sobre as condições que o PSD impõe para dar luz verde ao Orçamento do Estado tem suscitado reacções entre os socialistas. Em entrevista ao Diário Económico de quarta-feira, o ministro da Defesa Augusto Santos Silva sublinhou que "nenhum Governo governa sem Orçamento aprovado". Rejeitou "chantagens" e acusou o PSD de "irresponsabilidade política" por não aceitar a redução dos tectos nas deduções fiscais na Saúde e na Educação defendidas pelo Governo.

Enquanto membro do secretariado nacional do PS, Santos Silva lembrou que o PSD "acompanhou" o Governo na aprovação do Programa de Estabilidade e Crescimento e insistiu que a última coisa que Portugal precisa era de acrescentar uma crise política à crise económica.

A resposta veio pela voz do líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, que rejeitou qualquer ideia de crise política. "Nós não queremos crise política nenhuma. Se a quiséssemos, não estaríamos a dizer com esta antecedência quais são as condições, que não são extraordinárias mas que é aquilo que um partido responsável da oposição pode e deve dizer para viabilizar um orçamento que não é o seu", afirmou Miguel Macedo.

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Mas

Mas há alguém, neste mundo de Deus, que ainda ouça ou dê mesmo a mínima ...

João de Lima

20.08.2010 12:31

X

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