Crise

Sócrates lamenta recusa de apoio do PSD às novas medidas orçamentais

12.03.2011 - 03:38 Por Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas

  • Votar 
  •  | 
  •  3 votos 
Esforço é já a pensar em 2012 e 2013, disse Sócrates em Bruxelas Esforço é já a pensar em 2012 e 2013, disse Sócrates em Bruxelas (Eric Vidal/Reuters)
O primeiro-ministro, José Sócrates, lamentou esta madrugada a recusa do líder do PSD, Pedro Passo Coelho, de apoiar as novas medidas orçamentais ontem anunciadas pelo governo, declarando que as assumiu para defender o interesse nacional.

“Não conheço a declaração do líder do PSD”, afirmou Sócrates aos jornalistas no final da cimeira de chefes de Estado ou de Governo da zona euro, às primeiras horas de hoje. Mas, prosseguiu, “lamento se assim é, porque o país tem de fazer aquilo que deve fazer”.

Segundo explicou, o compromisso que ontem assumiu com os parceiros relativamente à consolidação orçamental, foi assumido “em nome do país (...), é um compromisso que vincula Portugal” e “é portanto preciso saber se o país apoia ou não apoia estas medidas. É do meu ponto de vista que é do interesse nacional que isto se faça”, defendeu. “Adoptámos estas medidas (...) para que o nosso país não precise de ajuda externa”, afirmou, sublinhando: “Lamento muito se as forças políticas não nos querem acompanhar.”

Sócrates deixou no entanto uma porta aberta à negociação ao afirmar que está disponível para discutir propostas alternativas às suas desde que tenham o mesmo impacto financeiro.

Apesar disso, insurgiu-se contra as críticas de falta de rigor avançadas por Passos Coelho: “quem faz estas crítica é quem nunca governou e quem nunca foi capaz de tomar medidas difíceis. Não posso aceitar essa crítica, essa crítica é perfeitamente (...) injusta para um governo que está a dar o seu melhor para governar um país numa altura particularmente difícil. O Governo tem sido de um rigor a toda a prova na execução orçamental”, enfatizou.

Para o primeiro-ministro, as medidas anunciadas não constituem uma novidade nem uma mudança de rumo, antes correspondem ao esforço necessário para o país reduzir o défice orçamental de 4,6 por cento do PIB este ano para 3 por cento em 2012 e 2 por cento no ano seguinte. O que o governo fez, explicou, foi antecipar o programa de estabilidade e crescimento (PEC) com a estratégia de consolidação orçamental até 2013 que deveria ser apresentado até Abril. Isto, “porque era preciso dar confiança às instituições europeias e aos nossos parceiros de que Portugal está disposto a fazer tudo o que deve para fazer uma consolidação orçamental que não se limite a este ano mas que vai prosseguir em 2012 e 2013”.

“O líder da oposição não pode ignorar que nós tínhamos um trabalho para fazer em 2012 e 2013, não pode ignorar que é preciso medidas para o fazer. É claro, é mais fácil falar, mais difícil é tomar as medidas”, acusou.

A única novidade, frisou, são as medidas previstas para este ano que se centram em cortes nas despesas do Estado. “A nossa avaliação era que não eram precisas mais medidas” mas “tomámos estas medidas para reforçar a confiança”, explicou.

Sócrates precisou por outro lado que não informou previamente o Presidente da República porque se trata de “um assunto da governação”.

Notícia actualizada às 8h14

Estatísticas

  • 5 leitores
  • 74 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1484462

Comentário + votado

SÓCRATES EM FIM DE LINHA

A hipocrisia e o cinismo de Sócrates é dizer que lamenta o que não lamenta coisa nenhuma. De facto ...

FMFM

13.03.2011 12:02

X

Mais em Política (3 de 8 artigos)

Sócrates não apresentou previamente medidas a Cavaco Silva por se tratar de "assunto de governação"