Sócrates inicia ano político com promessa de seguir rumo traçado

20.09.2008 - 19:07 Por Lusa, PÚBLICO
José Sócrates garantiu hoje, no comício de arranque do novo ciclo eleitoral, que o PS vai prosseguir no rumo traçado em 2005 para o desenvolvimento do país, num discurso em que acusou tanto a esquerda como a direita por não terem apoiado qualquer das medidas adoptadas pelo Governo.
“Estamos a começar o ano político, um ano em que temos muito trabalho pela frente, mas temos um rumo e não nos desviaremos dele”, declarou José Sócrates, perante os cerca de 13 mil apoiantes que esta tarde encheram o Pavilhão Multiusos de Guimarães, vindos de vários pontos do país.
Na sua intervenção, que se prolongou por mais de 40 minutos, o secretário-geral passou em revista as principais bandeiras dos últimos três anos de governação e garantiu que vai continuar a apostar no rigor orçamental, na promoção do emprego, na melhoria da educação e no reforço das políticas sociais.
“Não ignoro as dificuldades da conjuntura internacional, mas a melhor resposta a esse desafio é continuar o caminho da modernização do país”, defendeu, argumentando que o actual cenário de crise financeira deve ser enfrentado com “confiança e ambição”.
“Não temos tempo a perder, queremos seguir em frente. Não somos dos que desistem e o país sabe que pode contar connosco”, afirmou, antes de lembrar que foi eleito para a liderança socialista naquele mesmo local, há já quatro anos, no início de um percurso que culminou com a conquista da maioria absoluta.
Sócrates – que sucedeu no palco a Maria de Lurdes Rodrigues e Carlos César – dava, assim, o mote para o arranque do novo ciclo eleitoral, que irá incluir as regionais nos Açores, já em Outubro, as eleições europeias, antes das autárquicas e legislativas, no Outono do próximo ano.
Perante a “casa cheia”, Sócrates não perdeu a oportunidade de lançar uma farpa a Manuela Ferreira Leite, ao dizer que “ao contrário de outros, a liderança do PS não se esconde das bases, nem anda a jogar às escondidas com o país”, numa referência ao silêncio da nova líder social-democrata durante os últimos meses.
Críticas à direita e à esquerda
Num discurso recheado de elogios às políticas do Governo, José Sócrates agradeceu o apoio dos militantes, “mesmo nas alturas mais difíceis”, salientando que “o PS sempre soube que só podia contar consigo, que não iria encontrar nenhuma outra força política, à esquerda ou à direita, com vontade de mudança ou coragem para mudar”.
José Sócrates diz que “não foi para ficar tudo na mesma, que os portugueses deram a maioria” ao PS, a “única força” que diz ser “capaz de propor e executar programas de reformas a pensar no futuro de Portugal”.
Destacando o equilíbrio das contas públicas conseguido pela actual maioria, Sócrates garantiu que o PS “venceu onde a direita fracassou”, mas lamentou que “este esforço sério, honesto e corajoso não tenha tido o apoio dos partidos à esquerda do PS”. “Esses partidos estão sempre do lado errado da História, é uma esquerda imobilista, que nada aprendeu com o passado”, acrescentou, dando como exemplo a oposição do PCP e Bloco de Esquerda à revisão do Código do Trabalho.
Várias vezes acusado pela oposição de tentar controlar o discurso mediático, José Sócrates lembrou as reformas legislativas que “reforçam os direitos da oposição e a fiscalização do Governo” e disse estranhar que alguns partidos “se queixem da democracia no continente e nos Açores, mas não se queixam na Madeira”. “Estranho entendimento da democracia, que parece só funcionar quando esse partido está no poder”, disse, numa alusão clara aos social-democratas.

