Pouco passava das 13h30 de ontem quando José Sócrates deixou de resistir aos apelos que desde sábado lhe vinham sendo feitos para que prestasse esclarecimentos sobre um alegado plano do Governo para controlar os media.
No fim da visita ao parque de biotecnologia em Cantanhede, reuniu os jornalistas e, recusando responder a perguntas, acusou todos os partidos, "sem excepção", de aproveitarem o alegado "cometimento de um crime" - a transcrição das escutas telefónicas pelo semanário Sol - para o atacarem politicamente.
Ainda Sócrates não chegara, cerca das 11h00, já as estações de televisão se preparavam para os directos. Esperaram mais de duas horas e meia. Sócrates visitou cada uma das empresas instaladas no parque, fazendo perguntas e provocando apertos na multidão que o seguia. Só viria a mostrar pressa e impaciência após os vários discursos, ao mesmo tempo que, respondendo a indicações de um assessor, os jornalistas se posicionavam para captar uma declaração sobre "a actual situação política".
"Tenho de ir embora, senhores!", chegou a protestar, enquanto fazia deslocar os jornalistas para a sua frente - "Não se metam atrás de mim e ao meu lado, não gosto", disse. De rajada, durante três minutos e 20 segundos, negou que o Governo alguma vez tivesse dado orientações "à PT para comprar qualquer estação de televisão", e criticou jornalistas, "todos os partidos" e o PSD em particular. "Os partidos agora foram longe de mais. Não apenas atacando-me a mim, mas atacando a Justiça", disse Sócrates, para quem aproveitar "um acto criminoso", a transcrição das escutas, para fazer ataques políticos "é que é - na sua perspectiva - pôr em causa o Estado de direito". Mal acabou de falar, furou a barreira de câmaras de filmar e de microfones, ignorando as perguntas: "E pronto, meus senhores, era tudo!".


