José Sócrates recusa colocar o Governo e a oposição no mesmo patamar de negociação para o Orçamento do Estado. “Um lado [o Governo] quis negociar; o outro não”, disse.
O primeiro-ministro frisou hoje, durante o debate quinzenal no Parlamento, que o Governo tentou negociar previamente o Orçamento do Estado (OE) com o PSD, obtendo dos sociais-democratas uma resposta negativa. “Quero lembrar que o Governo fez uma proposta prévia de negociação e o PSD não aceitou. Um lado quis negociar; o outro não”, afirmou.
As palavras de Sócrates eram uma resposta à questão anteriormente suscitada por Francisco Assis, líder parlamentar socialista, que perguntou ao primeiro-ministro qual a abertura e o grau de disponibilidade do Governo para, “no âmbito de uma negociação parlamentar séria”, criar condições que garantam a aprovação do Orçamento.
Sócrates rejeitou a formulação da pergunta, argumentando com a proposta do Governo ao PSD. E acrescentou: “Não posso aceitar a ideia de que o Governo não quis negociar. O Governo quis e pediu uma negociação prévia. Não aceito o juízo de considerar o Governo e a oposição na mesma posição.”
Contudo, num momento que provocou riso nas bancadas da oposição, anunciou que o ministro das Finanças “está disponível 24 horas por dia para falar com qualquer deputado sobre o Orçamento. Trata-se de uma disponibilidade total e sem reservas.”
Em conclusão, o primeiro-ministro repetiu que “a responsabilidade não é apenas nas opções económicas; é também no domínio político”, acenando novamente com a iminência de uma crise política na eventualidade de o OE vir a ser chumbado.


