Sócrates garante que recusará atacar qualquer apoiante do “não”

20.01.2007 - 18:53 Por Lusa, PUBLICO.PT
O secretário-geral do PS, José Sócrates, garantiu hoje que, até ao referendo de 11 de Fevereiro, não fará qualquer ataque a cidadãos que recusem a despenalização do aborto até às dez semanas de gravidez, no seu discurso de encerramento da Conferência Nacional do PS “Pelo sim Responsável”.
O secretário-geral do PS frisou então que “um defensor do não é um cidadão com igual direito de fazer valer os seus argumentos sobre as suas convicções” e que, recentemente, autorizou deputados do PS a fazerem campanha activa contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
“Esses deputados perguntaram-me se podiam ser pelo não. Disse-lhes que não só podiam, como deviam fazer campanha”, referiu o líder socialista, já depois de ter vincado que o PS tem uma posição oficial a favor do “sim” no referendo.
Sócrates fez também um apelo ao voto no referendo de 11 de Fevereiro, alegando que o aborto é “uma questão de consciência individual”.
“Sim” combate aborto clandestino
José Sócrates defendeu também que só a vitória do “sim” no referendo de 11 de Fevereiro permitirá combater a “chaga social” do aborto clandestino e gerar a prazo um consenso na sociedade portuguesa.
“A actual lei não evita qualquer interrupção voluntária da gravidez (IVG). Apenas transforma a IVG em abortos clandestinos”, sustentou também no encerramento da conferência do PS.
Com o Teatro Camões cheio de militantes socialistas, o secretário-geral do PS justificou o referendo e a posição do seu partido a favor da despenalização da IVG com o objectivo de “combater a vergonha nacional do aborto clandestino”.
“Não se diga que não é preciso mudar a lei [de 1984] para acabar com o aborto clandestino, porque o que torna a IVG em aborto clandestino é precisamente a actual lei, que não permite a IVG em nenhum período da gravidez”, sustentou.
“Queremos que a IVG deixe de ser tratada pelos sistemas policial e judicial para passar a ser tratada pelos sistemas de saúde e de apoio social”, disse ainda Sócrates.

