Sócrates faz elogio do Governo e estende a mão à ministra da Educação

27.02.2008 - 14:27 Por Sofia Branco
Ao contrário do que o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, tinha sugerido, o primeiro-ministro não anunciou hoje nenhuma nova política social. No encerramento das jornadas parlamentares socialistas, que decorreram na Guarda, José Sócrates limitou-se a elogiar “o currículo” social do Governo.
Pelo meio, o primeiro-ministro deixou “claro” que a reforma da educação é para continuar, estendendo a mão à ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, a braços com uma contestação crescente de professores e sindicatos.
A reforma educativa “é uma questão absolutamente estratégica e essencial para o país”, que passa por alterações na gestão das escolas – é preciso “mudar para que as autarquias e os pais tenham uma presença na escola, para que a escola se abra à comunidade”, defendeu Sócrates.
E também é necessário, acrescentou Sócrates, introduzir um “sistema de avaliação” dos professores, porque “não há situação mais injusta do que não haver avaliação nenhuma e haver um sistema de progressão automática”, que não valoriza “o mérito” nem distingue “os melhores”. E, às críticas da oposição, o chefe de Governo respondeu: “No passado, quando tiveram responsabilidade, não o fizeram porque não tiveram coragem.”
“Eu sei que estas mudanças produzem alterações nas escolas e nas vidas das pessoas”, reconheceu o primeiro-ministro, para logo garantir que a reforma vai prosseguir, “a pensar nas crianças”. E fez questão de atribuir às escolas e aos professores os créditos pelos “bons resultados” já alcançados a nível do “aumento de alunos nos ensinos básico e secundário” nos últimos dois anos, da “melhoria no sucesso escolar” e da “diminuição da taxa de abandono escolar”.
José Sócrates centrou o seu discurso de encerramento das jornadas na “marca de governação de esquerda” nos últimos três anos: a “ampliação dos direitos sociais”, feita a par com a “consolidação das contas públicas”.
O primeiro-ministro enumerou depois, num discurso que ultrapassou a meia hora, as medidas que integram “o currículo” social do Governo. Entre elas, elogiou o programa Novas Oportunidades, que abrange já “360 mil portugueses”, que foi criticado, durante as jornadas, por alguns deputados socialistas, nomeadamente por Manuel Maria Carrilho, por ficar aquém das expectativas em resultados práticos.
Admitindo que a expressão “políticas sociais” já foi “mais usada”, Sócrates insistiu que esta será “uma legislatura progressista”, de “uma esquerda” com os olhos postos no futuro e que do passado “fixa apenas os seus valores de sempre”
Coube ao líder parlamentar, Alberto Martins, repetir o apelo socialista ao PSD para que seja “credível e responsável” e não quebre “os compromissos assumidos” nas leis eleitorais para as câmaras e para a Assembleia da República, “que exigem responsabilidade e partilha de dois terços [dos deputados]”.
O deputado Manuel Alegre, ausente das jornadas socialistas e acusou recentemente o Governo de “insensibilidade social”, pediu para ser lida uma mensagem e apelou ao grupo parlamentar do PS para, apoiando “o que deve ser apoiado”, não se furtar a “criticar o que deve ser criticado e corrigir o que deve ser corrigido”.

