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Primeiro-ministro viaja até Caracas

Sócrates entre emigrantes e o petróleo de Hugo Chávez

13.05.2008 - 08:32 Por Luciano Alvarez, Caracas

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O chefe do Governo português fez-se acompanhar por cerca de 80 empresários das mais variadas áreas de negócio O chefe do Governo português fez-se acompanhar por cerca de 80 empresários das mais variadas áreas de negócio (Rui Gaudêncio/PÚBLICO)
Quando Hugo Chávez chegou a Lisboa, no final de Novembro do ano passado, ainda com as orelhas quentes por causa de um rei que o mandou calar (Juan Carlos, de Espanha), José Sócrates abriu-lhe as portas de Portugal de par em par. Disse mesmo que o Chefe de Estado venezuelano se deveria sentir "em casa". É por isso normal que hoje, quando estes dois homens voltarem a encontrar-se em Caracas, Chávez lhe retribua a gentileza, provavelmente com um "mi casa es tu casa".

Será então a casa de Sócrates por três dias, na visita oficial que o líder do Governo português inicia hoje à Venezuela, mas é também, há muitos anos, a casa de cerca de 600 mil portugueses e luso-descendentes que vivem e trabalham no país. É para estar com eles e ouvir as suas preocupações que Sócrates visita o país, mas não só. Os negócios que se podem fazer com o muito dinheiro do petróleo venezuelano serão o outro prato principal da visita.

É por isso que o chefe do Governo português se fez acompanhar por cerca de 80 empresários das mais variadas áreas de negócio, três ministros (Estado e Negócios Estrangeiros, Luís Amado, Economia e Inovação, Manuel Pinho, e Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino) e outros tantos secretários de Estado.

A vasta comunidade portuguesa radicada na Venezuela aguarda esta visita "com enorme expectativa", segundo revelou ao PÚBLICO Aleixo Vieira, director do Correio da Venezuela, um semanário com quase nove anos de vida, com uma tiragem de 20 mil exemplares e milhares de visitas na sua página da Internet.

Insegurança e Chávez

Expectativa e "alegria", como refere ainda o jornalista que há 24 anos vive em Caracas, até porque desde 1997 que por lá não passa um Presidente da República ou um primeiro-ministro português. E o último, Jorge Sampaio, nem teve grandes contactos com a comunidade portuguesa, porque o então Chefe de Estado se deslocou ao país para participar numa Cimeira Ibero-Americana.

"Os portugueses adoram a Venezuela, são uma comunidade muito bem integrada, mas têm alguns problemas que não são só seus mas de todos os habitantes", refere Vieira.

E esses problemas, de que José Sócrates não deixará de ouvir falar, são a insegurança (embora o Governo local não forneça números, a taxa de criminalidade é das mais altas do mundo, segundo revelam diversas instituições internacionais) e os "ataques" que Vieira diz que o Estado está a fazer aos empresários, "como ameaças de nacionalizações e imposição de preços". E como muitos dos emigrantes são empresários (as maiores empresas de distribuição alimentar são deles), estes dois problemas tocam-lhes fundo.

Há ainda um terceiro problema, este sim exclusivo dos portugueses na Venezuela, a que Sócrates também não conseguirá fugir: a falta de professores para o ensino do português.

O Governo de Hugo Chávez incluiu a língua portuguesa como disciplina opcional no currículo oficial do próximo ano lectivo e já lançou um projecto-piloto em 14 escolas, mas a falta de professores pode condicionar esta opção. "Neste momento há dois professores pagos pelo Estado português e ensinam gente de todas as idades. Depois há professores em escolas particulares e em centros de emigrantes, muitos voluntários, com muito boa vontade mas, se calhar, sem a preparação certa", afirma Aleixo Vieira.

Sem dinheiro para o ensino

O Governo português, pelas vozes de José Sócrates e do secretário de Estado das Comunidades, João Gomes Cravinho, já afirmaram no mês passado que não há dinheiro para apoiar esta iniciativa venezuelana. O primeiro-ministro disse que a solução passa pela formação de professores no país e não pelo envio de novos. Cravinho foi ainda mais longe, afirmando, numa visita ao país no início de Abril, que Portugal não tem dinheiro para apoiar a iniciativa do Governo de Caracas.

"Portugal vive uma conjuntura de enormes oportunidades no que toca ao ensino da língua portuguesa e à promoção da língua portuguesa no estrangeiro, conjugada com a exiguidade de recursos", disse Cravinho, citado pela Lusa.

Instado a precisar se as soluções referidas sairiam do Ministério da Educação ou do Instituto Camões, João Gomes Cravinho defendeu que cabe ao Estado português, no seu todo, resolver a situação. "Neste momento, não existem novas verbas que se possam inventar nas instituições referidas", salientou.

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sócrates

Há décadas que os EUA têm relações comerciais com a China, no entanto, por alguns comentarios ...

LMF

13.05.2008 13:58

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Ângelo Correia disse que a proposta escrita de nova data foi assinada por si Conselho Nacional do PSD adia Congresso para 20, 21 e 22 de Junho