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Sócrates entre a “piedade” e a resistência para “não ser comido vivo”

05.03.2010 - 10:24 Por Nuno Simas, Maputo

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Sócrates, tal como é seu hábito em visitas oficiais (na foto, na Venezuela), também correu em Maputo Sócrates, tal como é seu hábito em visitas oficiais (na foto, na Venezuela), também correu em Maputo (Daniel Rocha)
As tradições são para cumprir e a corrida matinal de José Sócrates nas visitas ao estrangeiro também. Na marginal de Maputo, às 8h de uma manhã cinzenta e chuvosa, o primeiro-ministro foi correr, suar e tirar uma conclusão de teor político: é preciso estar em forma para um político se aguentar e resistir. Porque em cargos como o que ocupa, de primeiro-ministro, “comem-nos vivos”. Ainda mais “cercado” de polémicas como acontece agora com o caso das escutas do processo Face Oculta, que o ligam a um plano para controlar os media e o pode levar a ter de ir responder a uma comissão de inquérito sobre a tentativa de compra da TVI pela PT.

A muitos quilómetros de Lisboa, José Sócrates resistiu até ao último dia da visita oficial a Moçambique, com muitos milhões de euros prometidos para linhas de crédito, a falar da tão crispada situação política interna. “Tenham piedade”, pediu aos jornalistas, para não falar de política, polémicas ou inquéritos parlamentares. Mas qualificou de “episódio absolutamente lamentável” o depoimento da jornalista da TVI Manuela Moura Guedes, esta semana na comissão de Ética, no Parlamento, em que implicou Sócrates em tentativas de pressão em Espanha. Até junto do Rei Juan Carlos.

Longe das polémicas domésticas – nos dias em que esteve em Maputo disse não ter pensado no assunto –, o chefe do Governo preferiu recentrar as atenções na sua visita a Moçambique. Pela necessidade que a economia portuguesa tem de se internacionalizar e pelas oportunidades de negócio oferece.

Durante a visita, que hoje terminou, foram assinados uma vintena de acordos entre organismos e empresas dos dois países, anunciados negócios de milhões da Portucel, na produção florestal e de papel, e da Ascendi, numa nova ponte em Tete e estradas, ou ainda uma fábrica de cabos, da Cabelt. Tudo motivos – “até de respeito pelo país” – para Sócrates pedir “piedade” e não falar dos problemas internos nem de Manuela Moura Guedes. “Tenham piedade, não é aqui que vou fazer qualquer tipo de comentário obre um episódio absolutamente lamentável”, afirmou. E o certo é que, seja por causa das regras de protocolo seja pela distância relativamente aos jornalistas, o chefe do Governo nunca comentou os problemas internos.

A última manhã em Maputo foi passada pelo primeiro-ministro e delegação na Escola Portuguesa. Primeiro debaixo de chuva, depois de um sol intenso. “Uma escola de referência e uma verdadeira embaixada da língua portuguesa”.

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Ta Boa

O sr. 1o Ministro a fazer o seu jogging preocupado com a sua saudezinha se se preocupasse com a ...

Davidablo

05.03.2010 14:01

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