Sócrates ensaia vitimização e deve esclarecer portugueses, defende o PSD

09.02.2010 - 17:03 Por Lusa
O PSD acusou hoje o primeiro ministro de estar a ensaiar uma imagem de vitimização em vez de esclarecer os portugueses sobre as notícias que o envolvem numa alegada tentativa de condicionamento da comunicação social.
Em declarações aos jornalistas, no Parlamento, o líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, não indicou quais os esclarecimentos, em concreto, que pretende obter do primeiro-ministro, José Sócrates.
"O senhor primeiro ministro ensaiou mais uma vez uma imagem de vitimização, ataca o PSD para desviar a atenção do essencial", disse Aguiar-Branco, quando questionado sobre a acusação feita por José Sócrates.
De acordo com o líder parlamentar do PSD, "o essencial é a matéria relacionada com o condicionamento do exercício da liberdade de expressão em Portugal" que é do conhecimento dos portugueses "desde sexta-feira" - dia em que o semanário "Sol" noticiou despachos judiciais que referem indícios de uma alegada tentativa de condicionamento da comunicação social por parte do Governo.
Aguiar-Branco considerou que hoje José Sócrates "podia ter aproveitado a ocasião para prestar os esclarecimentos que permitissem restaurar a confiança dos portugueses quer no Governo quer na função que existe".
A este propósito, Aguiar-Branco fez questão de assinalar que o PS votou hoje contra um requerimento do PSD, que foi aprovado com os votos da oposição, para que a Comissão de Ética do Parlamento realize um conjunto de audições sobre o exercício da liberdade de expressão em Portugal: "Curiosa e incoerentemente, o PS votou contra".
Oposição pede mais esclarecimentos
José Manuel Pureza, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, sublinha a necessidade de esclarecimentos face ao alegado envolvimento do Governo numa “promiscuidade entre o poder político governamental e grupos empresariais de propriedade pública para efeitos de compra, de aquisição, de uma estação de televisão e para mudança da respectiva linha editorial”. Refere ainda o desinteresse do primeiro-ministro no esclarecimento do processo.
O PCP, representado por Bernardino Soares, sustenta que “o primeiro-ministro continua a não dar explicações sobre o conteúdo das matérias que foram reveladas, que são da maior gravidade. Independentemente de outras considerações acerca da sua divulgação, aquele conteúdo, aqueles factos que não são desmentidos pelo primeiro-ministro exigem um esclarecimento ao país”.
Pedro Mota Soares, Líder parlamentar do CDS-PP, insiste na urgência de explicações afirmando que “O que o CDS-PP quer saber é tão-somente isto: se houve ou não uma intromissão do Governo através de uma empresa na qual o Estado tem uma posição relevante numa estação de televisão”. Acusa também Sócrates de ter sido o responsável da situação mediática referida afirmando “que num congresso elegeu uma televisão, um director de uma televisão e um programa como adversários”.

