Sócrates é o líder que mais férias tira, Ferreira Leite diz que não tira nenhumas

07.07.2009 - 08:16 Por Leonete Botelho
Quinze dias para José Sócrates, dez para Francisco Louçã, no máximo um fim-de-semana prolongado para Manuela Ferreira Leite, férias antecipadas para Jerónimo de Sousa e Paulo Portas. Se Agosto ainda é o mês de férias por excelência para os portugueses, este ano não o será para os políticos.
Será um mês de intenso trabalho. Há que ultimar programas e listas de candidatos, afinar as máquinas eleitorais e sair para a rua. É pré-campanha e ninguém está dispensado.
Os líderes deram ordens de contenção no gozo dos dias de férias aos respectivos aparelhos — férias só até meados de Agosto e o menos possível — mas também a si próprios. Manuela Ferreira Leite foi a mais rigorosa: a presidente do PSD já fez saber que este ano não irá de férias de Verão.
Aos deputados, deixou claro o que esperava deles quando, no jantar de fim de sessão no Parlamento, afirmou: "Lamento não poder desejar boas férias a ninguém, porque não vai haver. Todos somos poucos para a luta que temos que enfrentar".
Uma posição intransigente que não é vista com bons olhos no PS. O secretário-geral e primeiro-ministro José Sócrates vai tirar as primeiras duas semanas de Agosto "para estar com a família, como todos os portugueses", porque, diz um assessor, as férias são "importantes em todas as actividades profissionais", sobretudo depois de um ano "difícil e intenso" como este. Antes isso que ausências encapotadas, consideram os socialistas.
Francisco Louçã também vai de férias em Agosto, dez dias, e bem vai precisar se quiser cumprir o ambicioso calendário que o Bloco de Esquerda tem para o resto do mês e primeira semana de Setembro: cerca de 50 comícios antes da campanha eleitoral começar, em todos os distritos do país, procurando ir ao encontro das pessoas onde elas estão, no litoral, nas praias fluviais, também pelo interior. O BE tem apostado, nos últimos anos, nestes comícios de Verão, mas este ano é a outra escala.
Jerónimo de Sousa e Paulo Portas optaram por antecipar as suas "fugas". O líder do PCP guardou-as para a última quinzena de Julho, enquanto o presidente do CDS-PP preferiu mesmo gozar férias quase duas semanas em Junho, em pleno período de trabalho parlamentar, obrigando-o a faltar a cinco sessões plenárias seguidas, uma das quais o último debate quinzenal com o primeiro-ministro da legislatura.
Agora, e por indicação superior, não há mais férias no CDS até às eleições, "quem não foi antes já não vai no Verão", sublinha o secretário-geral João Almeida. O aniversário do partido, a 1 de Agosto, será comemorado com um megajantar com comício dentro e segue-se um mês de visitas a empresas, instituições e feiras, apresentação de candidatos e de programa eleitoral. A “reentre” deve acontecer mais para o fim do mês, provavelmente em Aveiro.
Visibilidade vai procurar também o PCP durante o mês de Agosto, sobretudo na segunda quinzena, já que antes há todo um trabalho invisível para fazer: preparar listas, programas e a Festa do Avante!, marcada para 4, 5 e 6 de Setembro.
Até lá "teremos iniciativas de contacto directo com trabalhadores, empresários, agricultores", afirma Paulo Vasco Cardoso, da comissão política, lembrando que "o país não pára completamente".
PS e PSD é que ainda resguardam mais o jogo. Nos dois principais partidos estão em preparação agendas detalhadas até ao dia das eleições legislativas, mas ninguém quer falar nisso. Porque o segredo é a alma do negócio, mas também porque ainda está tudo muito "verde".
A exposição pública dos dois grandes rivais deste ciclo eleitoral também será estudada com pormenor, para não saturar nem dar ideia de ausência. Mas é de esperar que um se torne a sombra do outro: quando um aparecer, o outro aparecerá.

