Sócrates diz que Passos Coelho será incapaz de enfrentar interesses corporativos organizados

27.05.2011 - 15:31 Por Rita Siza
A rouquidão não impediu o secretário-geral do PS, José Sócrates, de se dirigir às centenas de apoiantes num almoço-comício em Guimarães, para mais uma vez criticar as mudanças súbitas de opinião de Pedro Passos Coelho e atacar a sua inexperiência política e incapacidade de fazer frente a interesses corporativos.
“Não quis deixar de vos falar, mas vou ter de falar mais baixo”, disse, quase num sussurro.
O líder socialista recuperou o “caso” da véspera, falando na entrevista em que Passos Coelho admitiu a possibilidade de rever a lei da interrupção voluntária da gravidez se vier a formar Governo. “Muito grave”, considerou Sócrates, censurando a reviravolta do social-democrata – que se manifestou a favor da alteração da lei no referendo de 2007 – “apenas para agradar ao auditório da Rádio Renascença”.
“Eu percebo que um político mude de posições”, concedeu Sócrates, “mas em tão pouco tempo”, questionou. “Não é possível respeitar o comportamento oportunista de quem muda de convicções para ganhar votos”, atacou, dizendo que o país precisa de “líderes firmes” que não “mudem em ziguezague em função das conveniências”.
“Uma liderança instável, que oscila, que não tem firmeza para enfrentar interesses corporativos organizados, não serve os interesses do país porque nunca será capaz de tomar medidas difíceis”, avisou.

