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Rentrée polítca em Matosinhos

Sócrates diz que OE não pode ser pretexto para abrir uma crise

05.09.2010 - 09:46 Por Natália Faria

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Primeiro-ministro faz referência a Alegre no final do discurso Primeiro-ministro faz referência a Alegre no final do discurso (Nelson Garrido (arquivo))
Mais do que falar para o país, o primeiro-ministro, José Sócrates, decidiu rechear o discurso com que marcou a rentrée política do PS de ataques que foram direitinhos para o líder do PSD, Pedro Passos Coelho. "Ninguém conte com o PS para alinhar em simulacros e fingimentos, ninguém conte com o PS para ultimatos e para crises artificiais, (...) sobretudo ninguém conte com o PS para pôr cálculos eleitorais mesquinhos à frente dos interesses do país", disparou o líder socialista diante dos cerca de sete mil militantes que, segundo as contas da organização, se concentraram ontem em Matosinhos.

Sempre com as negociações em torno do Orçamento de Estado (OE) para 2011 como pano de fundo, Sócrates voltou a usar o projecto de revisão constitucional como uma arma de arremesso contra o PSD e como uma oportunidade para reafirmar a defesa do Estado social. "O Estado social não é uma questão menor na nossa democracia, é um pilar estruturante que deve ser reforçado e não fragilizado", sublinhou, repetindo assim a receita a que recorreu no seu discurso em Mangualde, há algumas semanas, e reiterando que o PS jamais aceitará a liberalização dos despedimentos. "Em matéria de despedimento individual, nenhuma causa que não seja justa pode ser atendível como motivo de despedimento", disse.

Sócrates acusou ainda os social-democratas de estarem a querer esconder as suas propostas para evitar novas quedas nas sondagens. "Não é aceitável querer esconder agendas políticas e ideológicas apenas porque essas agendas não trazem boas surpresas nas sondagens", desferiu o líder do PS, dizendo esperar que "quem se comprometeu a apresentar um projecto de revisão constitucional não deixe de o fazer, porque o país precisa desse debate".

"Recados pelos jornais"

Quanto às negociações sobre o próximo OE, Sócrates deixou bem clara a sua posição. "Não é tempo de brincar com coisas sérias. O país precisa de estabilidade e não de instabilidade, o país precisa de estadistas e não de demagogos (...) de propostas sérias e não de atoardas e ameaças que só pretendem esconder o vazio de ideias." No mesmo tom, disse esperar que "ninguém pretenda irresponsavelmente fazer do debate orçamental o pretexto para uma crise política que teria consequências profundamente negativas para o país". E aproveitou ainda para dizer que não aceitará "mais recados pelos jornais".

Foi através da comunicação social que o PSD impôs os cortes na despesa pública e o não aumento de impostos como condição para viabilizar o OE. A terceira condição era que os cortes nas deduções fiscais na educação e na saúde ficassem concentrados nos escalões mais altos. Sobre isso, e apesar de o documento ter entrada prevista no Parlamento a 15 de Outubro, Sócrates disse que a aposta na redução do défice se mantém e que o documento será orientado para a redução da despesa pública e para a correcção das injustiças no sistema fiscal, impedindo que "os maiores beneficiários do sistema fiscal sejam aqueles que mais rendimentos possuem".

O líder socialista referiu-se à candidatura presidencial de Manuel Alegre no final do discurso. "Quero deixar aqui uma palavra de apoio, estímulo e encorajamento a Manuel Alegre, porque sabemos que representa uma visão progressista para Portugal", disse, reiterando tratar-se não de uma candidatura do PS, mas de uma candidatura apoiada pelos socialistas.

O líder parlamentar do PS, Francisco Assis, também centrou o seu discurso na questão do OE e dirigiu-se ao líder do PSD para avisar que, "em democracia, nada se pode seriamente discutir na base de ultimatos".

Os ataques à direita foram os momentos que despertaram os aplausos mais sonoros entre a assistência, composta em boa parte por idosos provenientes de vários pontos do país em autocarros pagos pelas estruturas do partido. O segundo episódio mais "galvanizante" para os militantes ocorreu quando, ainda o comício não tinha começado, um morador de um prédio vizinho decidiu colocar na sua varanda um cartaz onde se lia "Circo já há... faltam palhaços". Quando Sócrates chegou, o cartaz foi substituído por outro que dizia "Já há palhaço". Entre insultos e assobios, houve quem ameaçasse arremessar pedras à varanda, mas o comício haveria de chegar ao fim sem qualquer incidente.

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Fax de conta!

Claro que a única razão para abrir uma crise seria um senhor incompetente chamado ...

José, Província

05.09.2010 10:20

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